Reorganização interna
Custo a conciliar
razão e coração,
como se fossem
duas partes
separadas de mim.
Se a criança
me comanda,
sou lançada
tal qual uma
bola que rola
em brinquedos.
Se a razão
segue à frente,
me falta
encantamento,
sinto
frio insosso.
Todos querem
exclusividade,
ninguém pergunta
o que eu quero.
O hábito me leva
ao condicionamento,
o condicionamento
à repetição,
a repetição
ao automatismo.
Minha imaginação
é um cavalo chucro
que não quero domar.
Enquanto ela lidera,
todos os extremos
se curvam,
se conciliam.
É ela
que reorganiza
a hierarquia
interna.
Então a criança
não quer mais mandar:
ensina a razão
a brincar,
e o coração
a ouvir.
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