A tesoura


Minha tesoura

age sozinha

 

escolhe

o que

separar

 

como o jardineiro,

ao aparar 

a grama,

 

o veterinário,

ao fazer a

tosa,

 

o artesão

ao lapidar

a madeira 

 

 

o médico

ao extirpar

o tumor

 

intervenções

necessárias

mas

 

doridas

 

aparta o excesso

do necessário 

 

cortes profundos

que me ferem

como

navalha

 

Preciso da tesoura

mas resisto

a ela

por temer

a poda.

 

Não fosse 

a tesoura afiada,

não cortaria

camadas

endurecidas.

 

Eu continuaria

rígida

como

pedra.

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Coleção Literária com 28 livros de Virgínia Barbosa Leal

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