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Mostrando postagens de dezembro, 2025

Semeadura

  “ Na vida nós caminhamos em círculos, com um saco cheio de sementes nas costas, e há um furo nesse saco e, à medida que vamos caminhando por ele, de modo que semeamos pelo caminho, mesmo sem perceber. E a semeadura não é opcional, ela é obrigatória. A única coisa que cabe a nós escolhermos as sementes. Como andamos em círculos, inevitavelmente encontraremos no caminho o resultado das sementes que deixamos cair... Então se pergunte: o que você anda semeando.?” Jacoby Petry   Para mim, a metáfora contida na frase: “colhemos o que plantamos” sempre me marcou como um lembrete.   Também gosto dessa imagem: “Nossos atos são como uma flexa que lançamos, e quando menos esperamos ela nos atinge pelas costas.”   O difícil para mim é relacionar o que estou passando como resultado das sementes que deixei cair ao longo do caminho.    Já ouvi pessoas me agradecerem por algo que fiz que nem me lembro. O mesmo acontece quando alguém me acusa de algo que eu disse ou fiz. ...

Tempo de maturação

“ O tempo humano é um relógio, o de Deus é uma semente.” Fernanda Cani   O tempo da maturação é a semente e a semente é lançada por Deus aos seres humanos.   Deus distribui o tempo de acordo com a trajetória de cada um. Quem ainda não despertou para a realidade espiritual precisa de mais tempo. Quem já conseguiu, o tempo é de outra qualidade.    O tempo de Deus semeia o amor, a empatia, a paciência, as oportunidades de crescimento.   Ele caminha lado a lado com o tempo humano, à espera do despertar do indivíduo.    A sincronicidade acontece sempre que decidimos, intencionamos, e pomos em movimento algo.    Ao despertar para ver algo que sempre esteve lá, seja uma coisa, uma pessoa, ou até mesmo algo dentro de você, sua visão amplia e o caminho se alarga.   Quando entramos em sintonia com a sincronicidade, passamos a ficar mais atentos aos sinais que indicam o caminho.   Ao fazermos isso, saímos do tempo humano e entramos no tempo de...

Sede perfectível

  “Bebei na fonte viva do amor e preparai-vos, cativos da vida, a lançar-vos um dia, livres e alegres, no seio  daquele que vos criou fracos para vos tornar perfectíveis  e que quer modeleis vós mesmos a vossa maleável argila, a fim de serdes os artífices da vossa imortalidade.” O Espírito de Verdade – Evangelho segundo o espiritismo.     Há uma diferença entre ser perfeccionista e ser perfectível. Enquanto não entendia isso, queria ostentar uma perfeição impossível, pondo uma máscara que pretendia em vão esconder meus defeitos.    Ser perfectível é buscar aprimoramento, aceitando a verdade de quem sou agora.   E para chegar ao aprimoramento, o primeiro passo é a autorrevelação de minhas imperfeições.    Em seguida, fazer a auto confrontação, ou seja, reconhecer e admitir que não sou perfeita.   Para isso, é imprescindível observar sem julgamento cada defeito, como ele atua na minha vida.    O meu principal defeito é ...

A pedra no caminho

  O Pathwork me ensinou que antes de conseguirmos realizar nossos intentos, nossos anseios no caminho da evolução, primeiro precisamos cuidar dos obstáculos, das pedras que nós mesmos colocamos no caminho.   É por isso que alguns não entendem quando rezam e surgem as adversidades para nos mostrar como construímos  nossa realidade.   Todos os dias peço a Deus para me reconciliar com meus inimigos. Estou segura de que minha intenção é sincera, mas a oportunidade não chega, sequer me lembro de quem tenho ressentimento.   Mas na calada da noite, como diz o mito de Penélope, puxo o fio do que estava tecendo e desmancho tudo.   No meu caso, a ajuda divina que recebi foi através do sonho, como costuma me acontecer. Lembro de que algumas pessoas me procuraram, tentando se aproximar, mas eu as ignorava.   Conscientemente eu quero me reconciliar, mas o inconsciente se mostra inerte, indiferente ao movimento deles.    Há uma parte em mim que ainda ...

Sentir é viver

    “Por favor, não deixe que eu pare de pensar e comece cegamente aceitar o medo. Eu quero saborear e celebrar cada dia, nunca ter medo de experimentar a dor. Nunca me calar em um núcleo dormente por falta de sentimento ou parar de questionar e criticar a vida, e pegar o caminho fácil. Aprender a pensar e viver, viver para aprender, e sempre com uma nova visão, novo entendimento, novo amor.”  Do filme Jovens amantes   Vivi equivocada por muito tempo, achando que me relacionar bem exigia suprimir o que sinto. Assim, eu não perderia o controle emocional.   Por ter adotado não sentir como mecanismo de defesa, tinha medo de mim mesma, de minhas reações emocionais.    Não entendia que o descontrole das emoções residia exatamente por não as praticar.   Evitava a dor de sentir e sofria mais ao  me abster dela.    Quando comecei a trabalhar minhas emoções, elas vinham de forma intensa e causavam sofrimento a mim e às pessoas. ...

A eternidade da vida

“Hoje é um belo dia A árvore sem fim ainda está dormindo, Ela não tem começo nem fim. No fim de um ramo tem sempre outro ramo, e as folhas, toneladas delas, mais longe que muito longe. A folhagem é azul, quase invisível, se chama céu. Foi a vovó que disse e ela sabe de tudo.” Do filme Jovens amantes A vida é como uma árvore sem fim. Há o tempo de semear e de crescer. Cada ramo se desdobra em outros. A renovação das folhas servem de adubo para outras árvores e as novas sementes criam outras vidas. No ser humano não é diferente. A vida já existia antes dele nascer e continuará depois que ele morrer. Ele cresce, se desenvolve, gera filhos que perpetuarão a vida. A vida não acaba. Até mesmo o corpo físico serve de adubo para outras vidas. A existência marca a duração da vida material que se converte em espiritual. O espírito nunca perece. Como disse Lavoisier: "Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Cada espécie tem sua própria evolução, por menor que se...

Modelando o tempo

  Já fui artesã do tempo. Talhava o tempo de faz de conta, criando histórias e personagens, com narrativas moldadas pela fantasia.   Tempo da imaginação, quando eu era  protagonista das situações que desenhava e das soluções que coloria.   No tempo mental, arquitetava respostas que não dei e que ficaram presas na garganta.   Dava ao tempo a forma e o ritmo que queria, longos para o prazer, curtos para as desventuras.   Que importância tinha se a realidade trazia outros contextos e respostas? Eu tinha um tempo paralelo com outra versão mais alegre e feliz.

Travessia do deserto

    Há um lugar em mim onde nada  brota. Caminhos de sol escaldante e frio congelante.  Já entrei em desespero por não encontrar saída, todas as dunas do deserto eram iguais. Já me detive no deserto por não ter mais forças para caminhar.  Quando parei de me debater e esperar pacientemente a morte, o sol deixou de queimar e o frio passou a resfriar a mente fervilhante.  Foi ali, no deserto, que encontrei clareza, as coisas começaram a fazer sentido.  Revigorada, continuei a travessia rumo a uma nova vida, um novo propósito, novos desafios e aprendizados.  O deserto não é lugar de moradia, é lugar de travessia. É onde fico frente a frente comigo mesma, sem distrações, os sentimentos e emoções não encontram esconderijo, as defesas são desativadas. É onde não tenho medo de experimentar a dor. É lá onde encontro minha essência desnudada, minha vulnerabilidade exposta, onde posso ser eu mesma. É lá que me aproximo de Deus.  

Apatia versus euforia

  Meu psiquiatra diz que não sou maníaco depressiva, mas já vivi períodos de intensa euforia seguidos de apatia paralisante.   Se foi tristeza, depressão, inércia, angústia ou mesmo apatia, não saberia distinguir.   O fato é que meu estado de ânimo nunca foi morno, ou ardia ou era gélido.   Meu entusiasmo era delirante, com excessiva autoconfiança e coragem que beirava à inconsequência.   Se mudava para o desânimo, não via graça em nada, nada me motivava, congelava as emoções.   Essas polaridades me mostravam o auge  que eu poderia chegar. Ao transitar entre eles, forçosamente passava pelo ponto intermediário entre os dois, e a cada vez aprendia mais sobre esse lugar.   Hoje fico mais tempo nesse ponto de intersecção do que nos extremos. Tanto a apatia quanto a euforia foram e são instrumentos de aprendizado sobre a intensidade deletéria que me tira do eixo e encobre o que de verdade sinto.     

Para sempre é enquanto durar

  “ A gente esquece que tudo tem começo, meio e fim” Victor Benecke Mesmo sabendo que o tempo é ininterrupto, o repartimos em ontem, hoje e amanhã e nos desconectamos do instante. Ainda que exista a paciência, a sabedoria e o desapego, escolhemos ter pressa, nos afastarmos do agora e nos acorrentarmos ao passado. Seguimos em frente, olhando para trás, pensando no futuro, tropeçando no presente. No entanto, estar presente supera toda distorção.  Ao tempo foi atribuído começo, meio e fim. Num mundo em que tudo é efêmero, queremos tudo para sempre.  Na dimensão em que vivemos, para sempre é enquanto durar, mesmo que o instante seja eterno. Para não aproveitarmos o agora, criamos o tempo mental, que é modelado ao nosso bel prazer, em descompasso com a vida, que segue em seu próprio tempo, alheia aos desejos humanos.

Fragmentos do tempo

  No tempo das paixões eu tinha pujança. As paixões chegavam como um relâmpago e terminavam feito um trovão.    Tudo que fazia, pensava e sentia era paixão, entusiasmo, empolgação, um vigor que me fazia pensar que nada era impossível.   Cada vez que a ela me tomava, sentia vigor e frescor revigorante, me sentia exuberante.   Quando um sentimento, um pensamento, uma ideia estrondava em mim, sentia-me indestrutível, inabalável, poderosa.   Por ser ilusão, era comum a paixão resfriar quando confrontada com a realidade.   Hoje só me resta fragmentos desse tempo, lampejos que logo desaparecem.    Esses fragmentos de vida deixaram marcas importantes em mim. Sinto falta desse impulso desenfreado, da intensidade viciante, das vibrações avassaladoras que percorriam todo meu corpo. Saudades do tempo em que me entregava a essa corrente de prazer, eu era a paixão.    Eros que o diga, ele era minha testemunha. 

Exercício da paciência

  Sempre achei o tempo lento quando precisava esperar, quando o que queria não dependia de mim.   Quanto mais impaciente ficava, mais lento o tempo parecia estar.   A impulsividade não me dava tempo de maturar o tempo das coisas, muitas vezes trocava os pés pelas mãos e botava tudo a perder.   A sensação que eu tinha é de que não tinha mais tempo, tudo para mim era urgente. Quando surgia uma ideia, tinha logo que colocar em prática por medo de perder a oportunidade.    Era muito competitiva e achava que tinha que correr para não ficar para trás.    Quando me dei conta de que me comparar com os outros me impedia de encontrar minha singularidade, meus talentos, comecei a prestar atenção no meu ritmo interno e a vida passou a fluir mais fácil para mim.   Entendi que parar para planejar, avaliar, ponderar não é se atrasar e esperar o momento certo não é perder tempo.   

Vidas vivi

  Não tenho linha do tempo, tenho vidas que bordei no tecido das experiências.    Cada bordado tem contornos e cores diferentes, e contam histórias que  têm começo, se desdobram em episódios, mas não tiveram fim.    O tempo foi desmembrado, às vezes interrompido, às vezes suspenso. Não era ele que dava sequência aos acontecimentos, era a vida.   Ele era um novelo de fios emaranhados, assim como era minha mente e emoções.   Passei de uma vida a outra sem que o tempo desse um fim. Mesmo aos pedaços, eu seguia em frente, arrastando narrativas inacabadas e sem resolução.   Sabia que era uma nova vida quando algo em mim rompia o fio que me prendia ao tempo e eu ficava no vazio, vagando a ermo.    A cada vida que começava, desatava nós que me confundiam e buscava clareza para prosseguir. Entre uma e outra vida colecionei alegrias e tristezas, erros e acertos, construí e desconstruí, aprendi e desaprendi.   Nesse tempo fragmentad...

Tempo não vivido

  “Imagina déficit de atenção é deslocamento de atenção para um outro território de potência que você precisa descobrir... se a sua potência não está se expressando por ali, ela está se expressando por um outro local.” Dr. Sérgio Felipe de Oliveira    Estive deslocada do tempo em grande parte da minha vida. A mente divagava, se dispersava, criava enredos dissonantes do momento.    Quando algo ou alguém me afetava, a mente fugia para um lugar seguro, onde me sentia imperturbável.   Muitas vezes me distraia, ficava recolhida, absorta, com pensamentos encadeados infinitos.   Outras, era tomada pela imaginação, criava um mundo em que eu era a protagonista de histórias de desejos realizados.    Hora estava no passado, hora imaginava o futuro, hora flutuava sem rumo nem direção.    O tempo, para mim, nunca foi ininterrupto. Era fragmentado e intercalado por momentos de alheamento que me causavam estranhamento quando  voltava a e...

Dimensão do hiperfoco

    Não é fácil entender a mente TDAH. De um lado, ela viaja sem destino, percorre distâncias inimagináveis, atravessa portais para fora do tempo, se conecta com acontecimentos dissociados do tempo, cria eventos, lugares, enredos, tudo isso em fração de segundos.    Por outro lado, tem hiperfoco, a capacidade de se concentrar fortemente em algo que aprecia. O hiperfoco afasta qualquer pensamento que não seja relacionado ao que está sendo observado.    Sinto que quando estou no hiperfoco entro em uma dimensão atemporal, um espaço sem forma nem contornos, onde a imaginação ativa o poder de criação.    No hiperfoco tudo é fluido, não há esforço nem cansaço, sinto o fluxo da vida vibrando em mim.    É a dimensão do prazer em um nível incomparável a qualquer outro. A mente passa a ser estuário de ideias.    O hiperfoco é o contraponto da dispersão e ambos dão equilíbrio à mente.    A desvantagem dessa mente inquieta é a di...

Falta de plenitude

  À toda hora me atualizo, algo em mim muda, junto mais uma parte encontrada. O que me move é o desejo de plenitude que sei que já tenho, mas não percebo. Crio a ilusão da falta por me dissociar de fragmentos sempre que me despedaço. Mas o que quebra é a conexão com o todo enquanto meu eu se preserva inteiro. Se me vejo inteira, não há mais o que desejar, não corro o risco de buscar algo fora. O véu que não me deixa ver precisa existir, para que eu continue procurando o que me falta. Cada pedaço que acho me dá coragem para ser arrebatada pela lufada de luz que me revelará mais uma parte minha..

Não fuja da dor

    “ Recalcar o que é indigesto não apaga a dor, apenas a transforma em veneno.” Vinicius Pereira    Quando meu pai morreu, tentei fugir da dor da perda. Fui para um lugar interno já conhecido, onde me distancio emocionalmente.   Achei que estava bem, segui com minha vida, pensei que estava segura.   Na missa de sétimo dia inesperadamente desatei a chorar, um choro convulsivo, abundante e libertador. Ninguém entendeu minha reação.    Outra vez, me senti encurralada, sem saída sem saber por quê. Cheguei até a pensar em tirar minha vida, tão insuportável era o que sentia. Enquanto esperava ser atendida pelo psiquiatra, chegou à memória o que me fez sentir assim e todo mal-estar passou, me senti aliviada.    A dor é como um bumerangue, quando você a joga para longe, ela lhe atinge pelas costas. Fugir dela só adia e aumenta o sofrimento.    Tudo que é reprimido, uma hora consegue romper a barreira e surge com força multiplicada....

Aquarela

    Minha aquarela revela todas as cores. Cada pincelada realça o tom sonoro do humor, como a orquestrar pequenos sinos.   Cada arranjo reflete o contraste de luz e sombra em constante movimento, se alternando, exalando encantamento.   A realidade dá a matiz através da lente colorida, a partir do prisma em que sinto.   O degradê do imaginário compõe o caleidoscópio em mutação a cada agitação.   Pela lente colorida, realidade e imaginação se mesclam, dando vida à criação cinestésica.     Através dela vejo alegria onde há tristeza, encontro sentido quando tudo parece perdido, preservo o contentamento nas lágrimas que lavam a dor.    Ela me mostra beleza na vida com seus altos e baixos, na tormenta e na calmaria. Me oferece múltiplas cores para compor a obra inacabada de minha vida.   

De mim, só tem uma

 Só tem uma de mim “Se só tem um de mim, se eu não sou capaz de viver minha própria essência , eu impacto o planeta inteiro.” Hènrique Toni Quando queremos enaltecer o papel materno, costumamos dizer: “mãe, só tem uma.” Entretanto, também só tem um de cada um de nós. Sou especial porque sou única em minha constituição humana. Não só na forma física como no conteúdo que trazemos ao mundo e desenvolvemos na vida.  Sou um livro cuja história começou antes e vai continuar depois da minha existência.  A cada dia escrevo um capítulo que pode impactar positivamente ou negativamente em mim e na história dos outros.  Cada um de nós tem uma função no Plano de Salvação, na evolução da humanidade, na tecelagem que sustenta a vida e cuja função é nos aproximar mais e mais de volta ao Criador. O que penso, sinto e minhas ações repercutem no ambiente e no coletivo humano, conforme a escolha que faço no decorrer da vida.  Quando não expresso o meu eu autêntico, sou uma peça que...

Efeito cumulativo

  Mente e corpo são interligados de tal forma que as reações emocionais ao que nos acontece, em especial os traumas, são materializados no corpo físico em forma de sintomas e nódulos musculares.    As emoções são descargas de energia que interferem no equilíbrio corporal.   Essa interação tem efeito cumulativo, ou seja, uma reação emocional acontecida na infância influenciará na reação a um evento no presente, e aderirá como uma bola de neve rolando, causando efeitos físicos deletérios, podendo chegar à instalação de doenças. Esse é o significado de: “mente sã, corpo são.”    A cada vez que fazemos conexão com um julgamento de antes sobre algo do presente, recrucedemos o equilíbrio emocional até então conquistado.   A mesma coisa acontece com o corpo.  A cada descarga emocional em forma de energia explosiva, o corpo se fragiliza e são criados pontos nucleares psíquicos que precisam ser dissolvidas.    Um núcleo somado a outros cumulativa...

Matrix espiritual

“Quando você observa o passado sem emoção, ele perde a capacidade de te ferir. Quando observa o futuro sem expectativa, ele perde a capacidade de te controlar.” Matrix espiritual   Desde sempre eu intuo que minha relação com o tempo é uma chave para me libertar das amarras que me prendem a ele.   Percebi, também, que minha consciência é sua escrava, e que o estado de presença é o ponto de ruptura dessa relação de dependência com o tempo.   Quando ele me puxa para o passado, a força do tempo me mantém atada à dor.   Quando o tempo me empurra para o futuro, percebo a falta de chão, insegurança e incerteza do porvir, antes dado como certo.   Nas poucas vezes que me mantive no agora, senti liberdade permeada de um bem-estar que me coloca de volta ao eixo do equiíbrio, onde vejo a vida com clareza, entro no seu fluxo, e toda a nostalgia e ansiedade quase se dissolvem.   O que dificulta me manter no estado de presença é o impulso que criou hábitos e comportamento...

O poder de criar

    “O que realmente dá vida ao pensamento é o sentimento. Quando você sente aquilo que pensa, quando acredita com o coração, o seu campo eletromagnético se expande de forma poderosa, o coração emite ondas de luz coerentes que moldam o espaço/tempo ao redor... A sua vibração ressoa com possibilidades  semelhantes, no campo quântico e o campo começa a responder. Uma rede infinita de realidade se apresenta diante de você, esperando ser escolhida. E então algo mágico, a frequência que você emite colapsa a função de onda, a realidade e começa a se dobrar diante da sua consciência. Partículas se organizam, cominhos se abrem, pessoas certas aparecem, tudo se encaixa como um quebra-cabeça que sempre existiu, mas agora você ativou.” @Ofarol2025   Essa abordagem quântica, explica como o pensamento, impulsionado pelos sentimentos, materializa uma ideia.    Ela me esclarece aquilo que eu já percebia. Nós emitimos vibrações em forma de ondas quando pensamos, que s...

Para quem já viveu o luto do amor

  “O problema é que as pessoas acham que só perdemos alguém quando a pessoa morre... Ninguém fala do amor que ainda respira, anda sorri, mas que não está mais por perto... Dói como a morte, mas não aparece ninguém para dar flores ou consolo.” André Nobre Duarte    Já me perdi de quem amo numa bifurcação de sintonia.  Quase desapareci, ao refletir uma  imagem que não era minha.   Já vivi o luto por alguém que não me via, da solidão a dois, da desesperança da reconciliação. do amor não recíproco   Já me consternei ao desistir do amor quando ele ainda palpitava, a dor de me escolher, com ele ainda vivo em mim.   Já senti a tristeza do amor inalcançável, de amar quem desistiu de mim de recolher pedaços de mim que estavam com ele.   É uma mistura de saudade, pesar, arrependimento, culpa e mágoa de mim e dele.   O luto da consciência de que nada mais há a resgatar e de que só restou o vazio do silêncio do que não foi dito, do amor não amado. ...

Fale

    “ O óbvio também precisa ser dito. Saber que alguém gosta de ti não é o mesmo que ouvir “gosto de ti”... O óbvio também precisa ser dito porque às vezes o silêncio confunde, e o que parecia claro, começa a desvanecer...” André Nobre Duarte   Não sabia falar quando algo me incomodava, ficava amuada e o aborrecimento ia aumentando de tamanho.    Tinha o hábito de dizer que não era nada, quando alguém me perguntava o que eu tinha. Queria que o parceiro adivinhasse o que eu estava sentindo ou o que eu queria dele.    Para mim, ser ouvida organiza meus pensamentos, me permite liberar emoções reprimidas, muitas ignoradas por mim.   O desafio é falar fora do consultório. Lá me sinto segura, sei que serei ouvida, não serei mal interpretada, nem vítima de alguém inconsequente que pode usar de maledicência, ou se aproveitar de minha vulnerabilidade.   Já me arrependi de abrir meu coração para a pessoa errada e essa experiência me travou em oportuni...

As armadilhas da ambição

  “ Por não querermos assumir a nossa fragilidade, nós nos constituímos em guetos hipócritas de poder.”   Se alguém quiser medir o poder que acha que conquistou ao longo de sua vida se aposente. Todas as camadas de aparente poder sobre as pessoas, as coisas e a vida caem por terra.    Todas as relações baseadas no status social e no poder material, seja pela riqueza, seja pelo cargo que ocupa, seja pela posição que tem na escala social se dissolvem quase que instantaneamente.    Se você não valorizou e não manteve relações afetivas, seja com a família, seja com amigos, verá como se distanciou deles e a falta que eles fazem agora em sua nova etapa da vida. Nenhuma conquista material é capaz de criar ou sustentar vínculos amorosos.    Quem priorizou o trabalho e as conquistas materiais, perceberá que a estabilidade financeira conquistada servirá apenas para dar uma velhice confortável. O trabalho não será mais referência para sua vida.    ...

Para sempre é enquanto durar

“ A gente esquece que tudo tem começo, meio e fim” Victor Benecke Mesmo sabendo que o tempo é ininterrupto, o repartimos em ontem, hoje e amanhã e nos desconectamos do instante. Ainda que exista a paciência, a sabedoria e o desapego, escolhemos ter pressa, nos afastarmos do agora e nos acorrentarmos ao passado. Seguimos em frente olhando para trás, pensando no futuro, tropeçando no presente. No entanto, o propósito supera toda distorção. Ao tempo foi atribuído começo, meio e fim. Num mundo em que tudo é efêmero queremos tudo para sempre. Na dimensão em que vivemos, para sempre é enquanto durar, mesmo que o espírito seja eterno. Para não aproveitarmos o instante, criamos o tempo mental que é modelado ao nosso bel prazer, em descompasso com a vida, que segue em seu próprio tempo, alheia aos desejos humanos.

Tempo de decidir

    “E quando a vida te mergulhar nas águas profundas, espere, não te desesperes, permanece, alonga a paciência, fortalece o fôlego, e treina o silêncio. Porque até a semente antes de romper a terra precisa primeiro aprender a crescer no escuro.” Israel Domingos   Decidir não é só afirmar aquilo que vem da mente. A decisão envolve a intenção, a disposição, e a força que vem do coração.   Recentemente intencionei e pedi ajuda ao mundo de Deus para soltar o passado. Esqueci que antes do desejo se materializar, Deus me mostra os obstáculos para que ele aconteça.   Achei que tinha decidido, quando, na verdade, não olhei para o apego que tenho às coisas boas que agora não mais existem.   Para me liberar do passado, preciso aceitar o presente como ele se apresenta. A aceitação é um sentimento que brota quando eu passo a desfrutar do que o agora oferece, sem fazer comparação com o que já tive.   Ao intencionar me despedir do passado, senti melancolia, “o susp...

Melancolia

    “A melancolia é uma névoa cinzenta que envolve a alma, trazendo consigo um profundo sentimento de tristeza e saudade. É o suspiro silencioso da alma que clama por tempos perdidos e sonhos desvanecidos.” Jhon Herbert   Sou suscetível à melancolia, um estado mediano entre a tristeza e reflexão ainda não manifestada.   Tenho a tendência a reagir ao sentimento do outro. Não é sentir no lugar dele, não é compaixão, é me sentir afetada pelo seu sentir.   Desde pequena sou assim. Meus irmãos zombavam de mim porque achavam que eu imitava a expressão facial dos personagens, quando assistia televisão.    Não era imitação, eu sentia algo com o que via ou ouvia deles. Ainda hoje sou assim, os doramas causam esse efeito em mim.    Recentemente descobri que essa é uma forma de expressar emoções em segurança. O que sinto é meu, mas pela identificação com o que o outro sente.   Talvez isso explique a tendência a me afastar dos outros, porque sou afe...

Tormenta azul ressonante

    “Nós sempre escolhemos o caminho reto por ser mais rápido. Assim como na física, na vida real o caminho reto pode ser mais demorado, porque ele não gera o impulso necessário para o aprendizado.” Jacob Petry   Passei por uma crise depressiva tão forte que o pensamento em me matar tomou a mente. Enquanto esperava minha vez para ser atendida pelo psiquiatra, o motivo de estar me sentindo assim emergiu, e a depressão passou.   Outra vez, enquanto dirigia para fazer o exame para atestado de saúde ocupacional, desatei num choro incontrolável. Não conseguia dizer nada à médica porque não parava de chorar. Ao invés de me dar  o atestado, ela me deu uma licença do trabalho.    Aguardava minha irmã vir me buscar, quando o choro acabou e comecei a me sentir bem, a tristeza vinha das dificuldades para lidar com o trabalho.   O título desse texto é minha assinatura galáctica segundo o Calendário Maia, e eu nunca a tinha entendido. Depois de refletir s...