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Mostrando postagens de abril, 2026

Não foi minha intenção

    Minha intenção é verdadeira? Ou é apenas uma desculpa?   Digo que o que faço é para o bem de meu filho. Será? Ou estou usando-o para realizar meu sonho?   Como há uma dualidade que move as ações humanas, posso até estar movida por uma boa intenção, mas pode haver também uma motivação egoísta escondida.   A ação em si pode ser benéfica para o outro, mas, se a faço para ser vista e admirada, a intenção não é boa.   Enquanto eu não sabia dessa dualidade, podia me enganar. Depois, passei a achar que sempre estava mal-intencionada.   É possível — e até provável — que eu tenha duas intenções distintas ao mesmo tempo.   O importante é saber qual delas sustenta o coração.  

Como lidei com o medo

  “Nossos vínculos iniciais moldam nosso padrão de segurança emocional.” @trevisangustavo Na minha infância, eu sentia medo o tempo todo. Meus pais brigavam muito, gritavam um com o outro, minha mãe desmaiava. Eu tinha medo de que essa hostilidade se voltasse contra mim, medo de que minha mãe morresse. Não havia a quem pedir ajuda: meus irmãos sofriam como eu; eu temia recorrer aos meus pais, já que o medo tinha origem na conduta deles. O medo, para mim, era algo difícil de lidar. A menina que fui, para sobreviver, criou a máscara da poderosa: eu não podia demonstrar fraqueza, então escondia o medo. A estratégia era tentar congelá-lo. Na vida adulta, não pude mais evitá-lo. Na minha primeira audiência judicial, surtei: suava e tremia muito. Mesmo tentando disfarçar, não consegui. A partir desse dia, não pude mais ignorar o medo. Passei a senti-lo de forma exagerada, desproporcional, até em situações em que não havia ameaça. Percebi que, em mim, o medo se expandiu — generalizou-se p...

NOVOS LIVROS

 NOVOS LIVROS  FALTA INCLUIR NO BLOG   1.      A PEÇA QUE FALTA  2.      CÔNCAVO E CONVEXO  3.      FRAGMENTOS DO TEMPO  4.      LUGAR DE ESCUTA –  5.      MEU DIÁRIO PARA A LIBERDADE   6.      NO LIMIAR ENTRE O BEM E O MAL   7.      O DESPERTAR DA ALMA   8.      O OUTRO EU 9.      PALAVRAS EMPRESTADAS 10.   PARA QUEM NÃO TEM AMANHÃ 11.   QUEBRANTAR-SE 12.   RINDO À TOA   13.   UMA PESSOA COMUM    NA DIAGRAMAÇÃO    1.      CICLO DA VIDA  2.      CRÔNICAS DA VIDA  3.      FRAGMENTOS DO TEMPO 4.      A HISTÓRIAS QUE NÃO CONTEI  5.      TRAVESSIA         

De novo?

    Há um pensamento que diz: “há um buraco na calçada: a primeira vez, você não vê o buraco, cai nele e pede ajuda para sair. Na segunda vez, você sabe que tem um buraco, cai mesmo assim e sai dele sozinha. A terceira vez, você muda de calçada.   Não se muda da noite para o dia. Eu repeti três vezes o mesmo padrão doentio de relacionamento: no primeiro, não tinha consciência, no segundo eu sabia, mesmo assim repeti compulsivamente o padrão. No terceiro, não evitei entrar nele, mas logo reconheci o padrão e saí dele.   A mudança é um processo que tem etapas, e a repetição faz parte dela. A cada vez que eu caí no buraco, ele não era o mesmo e eu já não era a mesma.    Cada repetição está numa espiral de elaboração, a cada volta um nível maior é alcançado. Até chegar à sedimentação da mudança.    Ao saber disso, não me recrimino mais quando repito o que já sei que não deveria. Fico atenta ao que mudou em mim, e espero o tempo de cura.   An...

Desencontros

  Estou assistindo a um seriado em que um jovem gosta de uma menina, mas a timidez não ajuda, apesar das várias tentativas que ela faz para se aproximar dele.   Lembrei-me de quando tinha catorze anos e me apaixonei pelo vizinho. Tomei coragem e coloquei, na janela dele, um bilhete me declarando. Ele respondeu também com um bilhete, dizendo que não se interessava por garotas oferecidas.   Dez anos se passaram. Casualmente, nos encontramos, e ele me disse que se arrependeu de ter me dado um fora, que era muito imaturo. Mas, a essa altura, eu já estava casada, e a paixão adolescente já havia passado.   Antes disso, o primo dele tomou a iniciativa e me procurou. Ofereceu-me uvas, mas fiquei sem ação e, quando mamãe me chamou, entrei em casa sem dizer nada. Na semana seguinte, ele passou pela frente da minha casa, desfilando com sua namorada. Na época, sofri muito, mas hoje penso que ele achou que eu o ignorei.   Fico pensando quantos desencontros acontecem porque u...

Novos livros

 Aguardem! Novos livros prontos para serem publicados! 

Ensaio sobre cegueira

“Não foi a cegueira dos olhos que me interessou, foi a cegueira da razão.” – Saramago Não li o livro, mas assisti o filme. Ele destaca o dever de quem consegue ver enquanto os outros estão cegos.  Mas até aqueles que têm olhos de ver têm seu ponto cego. Esse ponto cego, comum a todos, despertos ou adormecidos é a ignorância. A chave é examinar onde está sua própria cegueira. Em sempre fui voluntariosa, queria moldar a vida e não me adaptar a ela. Como era de se esperar, eu não conseguia meu intento e me sentia vítima de um agressor indeterminado. Essa atitude me causou várias crises, chegando a entrar em colapso; desenvolvi alguns transtornos mentais. Não entendia que não eram as pessoas ou as circunstâncias responsáveis por eu ter chegado a esse ponto, mas minha própria atitude mental e emocional equivocada.  Até mesmo agora que despertei para a realidade e para o esforço em aceitar a vida e as pessoas como elas são, ainda há resquícios do desejo de que seja feita minha vonta...

Estamos interconectados

    Passei por um atropelamento, mas não parei para socorrer a pessoa ferida. Pensei em várias justificativas para aliviar minha consciência: vou me atrasar para o trabalho; e se ele desmaiar e pensarem que fui eu que o atropelei? Vão querer que eu fique responsável por ele no hospital, vou sujar meu carro de sangue, ele não é meu conhecido.    Tempos depois, eu colidi com um carro, fiquei zonza, desnorteada. Logo um rapaz numa bicicleta pediu para eu baixar o vidro, perguntou se eu precisava de ajuda.   Fiquei agradecida, mas também envergonhada. Quando foi minha vez de prestar assistência, o egoísmo falou mais alto.   É comum que as pessoas - inclusive eu - pensem: “Não é comigo” e segam adiante, sem olharem para trás. Naquele dia entendi que estamos todos interligados, que o que acontece com um diz respeito a todos.   Estamos vendo, agora, a repercussão da guerra no Oriente Médio em nosso país: escassez de alguns produtos, aumento de preços, prejuíz...

Falar e calar

    A fala precisa de pausa;  o ouvinte precisa do silêncio  para processar o que foi dito.    O silêncio oportuno fala mais  do que mil palavras:  calar-se diante da dor é compaixão; apreciar o que está sendo dito em silêncio é admiração e respeito; compreender o momento de silenciar   é atenção;  não interromper a fala de alguém  é educação;   a presença do silêncio que escuta é cura.    No entanto, romper com o silêncio quando é preciso corrigir, orientar, consolar é sinal de sabedoria e coragem, - é exercício do amor.    A palavra tem poder,  ela cria ou destrói,   sensibiliza ou enraivece,  acolhe ou rejeita.   É preciso saber quando falar e quando calar.  A fala e o silêncio se complementam,  são instrumentos de comunicação.  Mas mal-usados, pode provocar desentendimentos.    A minha fala é muda,  quem dá voz a ela é quem a lê.  ...

Fracasso

 Fracasso Quando me separei, Achei que tinha fracassado no meu casamento. Fiquei arrasada Anos depois –  e após ter vivido outro casamento entendi que nenhuma relação se perde.  Há encontros que preparam terreno para outro.  O suposto fracasso desenvolve resiliência, faz parte do processo é raro acertar de primeira.  o fracasso só é problema  quando vira desistência. Às vezes, é vitória disfarçada.  Não se deixe abalar  a ponto de duvidar de si.  Olhe para trás e veja  quantas vezes você superou  situações que pareciam insolúveis.

Mulher: ser que realiza

    Enquanto menina, é livre no reino da imaginação.  A adolescente desbrava, apaixona-se. A mulher realiza: recebe, acolhe, gera;  A anciã integra - a menina, a adolescente, a adulta –  em seu caldeirão alquímico, transforma experiências vividas em sabedoria.   A mulher é fértil e abundante em todas as fases da vida: na imaginação, na criação, na consciência de si e do mundo, no amor.    O feminino realiza –    faz-se pilar quando a estrutura  é abalada   recolhe os cacos  depois da tempestade;     e se torna ferramenta  para realização   da reforma.  

Fragmentos

    Há muitos fragmentos orbitando em mim, outros perdidos.   Alguns já consegui reunir com a cola da vontade, mas deixaram cicatrizes.   Agora os costuro com o fio dourado do amor que ilumina cada retalho.    Cada fragmento restaurado transforma  cicatriz em ouro.   Ainda não estou inteira, mas cada parte que recupero amplia e cura a cartografia do meu território.                  

Pressa de viver

    Sou filha de Iansã Minha vida é    vendaval   pressa de  maternar   deixar casa limpa   tomar banho   trabalhar   comer   voltar pra casa   Há sempre algo por fazer algo faltando   Um instante de repouso revela:   o que busco já está em mim                                  

O arco-íris do amor

  O amor é como um arco-íris: a chama vermelha, que logo se apaga; a luz amarela, que vibra em cada um. Quanto mais as cores se encontram, mais bela a obra, mais harmônica. Quando o vermelho decanta, torna-se rosa — acolhe todas as cores. Há dias esmaecidos: a mão pesa, a tela borra, falta contraste, falta nitidez. Quem abandona a pintura deixa a tela em branco. Mas quem brinca com a paleta reconhece, na tela inacabada do outro, o traço mais autêntico. Quando a obra é feita a dois, o arco começa a surgir — mesmo incompleto.

Apontador

  Não sou a criança que escolhe  apenas lápis estilosos. Nem o lápis, guiado  por mãos firmes.  Tampouco a borracha  que apaga o erro.   Sou o apontador  que afina a ponta  para traços  mais nítidos.    A cada vez que aponto, lapido partes de mim  que precisam ser descartadas  e revelo outras, até então ocultas.   Não descarto lápis gastos;  trabalho com eles  até não poder mais apontá-los.   Não sou o carrasco  que impõe ao lápis  um processo doloroso.    Sou o artífice  que renova sua função.   Nem sempre consigo  cumprir meu ofício.    Há lápis cujo grafite  se quebra  ao ser refinado.   O lápis é inútil  sem o apontador —  e vice-versa.    Juntos, são instrumentos  sem os quais nenhuma obra  ganha forma.    

O sino

 O sino A existência é um sino   anuncia o nascimento, ressoa no tempo, se dissolve no silêncio muitos não escutam

Swim

  Nado no mar da vida sou um ser anfíbio   Já tentei flutuar, mas não via a paisagem, nem sabia meu destino   Já nadei contra a corrente - perdi as guelras, a cauda, virei animal terrestre barqueiro que não sabe remar   parei de resistir ao curso   voltei a ser anfíbio   Tento entrar no fluxo, às vezes  afundo   No fundo das águas não há distração: o confronto  é inevitável    Quem dera um dia eu navegue com leveza e veja, enfim,  a beleza das águas  que há em mim      

A magia do riso

    Já fui pluma, até pedra rolava  ao ser tocada por mim.   Era como pétala invisível  fazendo cócegas incontroláveis, vacina contra mal humor  sem efeito colateral, catalisadora de alegria,  de espasmos corporais  involuntários.   Já soltei pensamentos  enferrujados  e emoções endurecidas,  já colori o que era  opaco,  já trouxe sonoridade  ao que antes era ruído.       Quando a dureza da vida me tomou me perdi em labirintos, a face virou máscara de cera a magia que me movia  embotou-se.   Sei que chegará o dia em que voltarei a contagiar  o bom humor em forma de gargalhadas.   Como quem voltou a ser  pluma.  

tateando no escuro

  Já passei por esse processo repetidas vezes, mas, quando ele retorna, não me sinto mais resiliente do que antes. Pelo contrário: sinto-me frágil, sem forças. Por muitas noites, tenho sonhos que me preparam para esse momento. Neles, percebo que é mais fácil perdoar o outro do que perdoar a mim mesma. Quando sou confrontada pela minha sombra, minha primeira reação ainda é negar sua existência. Bloqueio a memória para não sentir — mas, ainda assim, sou tomada por um mal-estar, um desânimo silencioso. Fico tateando no escuro, embora acender a luz dependa apenas de mim. Meu reduto mais verdadeiro e sincero é quando me desloco para fora de mim durante o sono. Lá, as defesas se desfazem, e posso me ver por inteiro. Agradeço a Deus pela bênção de lembrar o essencial do que vivi nesses momentos. Essas lembranças me ajudam a elaborar a experiência e a depurar as emoções que dela nascem. Quando acordo sem memória alguma, mas tomada por um mal-estar, já sei: estou rejeitando um aspecto da mi...

Amor e fé

  A fé não é crença estéril, nem produto da mente — é saber sem prova.   Fé sem amor, o vento leva: carece de pilar. O amor sem fé é barco sem remo.   A fé me atravessa, o amor me move.   Amor e fé não se confundem: a fé mantém o amor aceso, o amor abre espaço para a fé.   A vida só tem sentido quando a fé me arrebata e o amor for meu caminho.  

É melhor estar só do que mal acompanhada

  Estar só ou com alguém, vazia ou preenchida, nada tem a ver com falta. Às vezes me sinto vazia, estando só ou com outro. Às vezes me sinto plena em qualquer circunstância. O vazio não é insuficiência: é fase de transição para outro estado de ser. O vazio é o casulo, o útero espiritual que abriga o novo. É o espaço criado pela própria mente que quer se expandir. Quem bem acolhe o vazio espera o tempo essencial para a gestação de um novo eu. Sentindo falta ou não, melhor estar só do que mal acompanhada.

Ninguém disse que seria fácil

    No tempo que eu era espírita, achava que bastava fazer caridade para ser poupada de todo mal, mesmo com a recomendação de orar e vigiar. Quando as provações chegavam, eu me recriminava por não ser boa o bastante.   Quando conheci o Pathwork, ampliei minha visão do mundo e de mim mesma. Nesse caminho, ouço com frequência: “ninguém disse que seria fácil”. Para o Pathwork, espiritualidade é autoconhecimento.   Trilhar esse caminho requer coragem, propósito e determinação, para ir buscar nos escaninhos da inconsciente partes minhas que escondi.   As adversidades continuam, mas agora eu sei que faz parte do processo, que tudo que me acontece me é inerente, é construção minha através de pensamentos, sentimentos palavras e atos.    Saber que eu construo a própria realidade me dá resiliência para seguir, ainda que haja pedras no caminho, ainda que cheguem tempestades e o cansaço tente me desanimar.   O caminho espiritual não é fácil, mas foi o único c...

Sensibilidade mental

Quando escuto uma música ou vejo um show inéditos — especialmente em língua estrangeira — raramente sou apreendida de imediato. Preciso conhecer a tradução da letra, os comentários sobre o conceito. Aí, sim, revejo, escuto novamente e me sensibilizo.   A força da repetição me faz sentir cada detalhe: entonação, timbre e acorde. Mas há músicas cuja melodia me toca logo ao primeiro contato. Minha sensibilidade está fortemente interligada ao mental. Torno-me os acordes de uma música clássica, em sua dinâmica e andamento.   Quando se trata de escultura, aquarela ou poema, é diferente. O canal que acesso vai além do mental — ou melhor, o mental se neutraliza, deixa de predominar. Primeiro vem a emoção, e muitas vezes só ela basta. Não preciso entender para ser cativada — e, talvez, entender atrapalhe.   Não sei o que seria de mim sem a arte. Ela me arrebata, me tira de dentro da caixa e me faz voar. E, do alto, acesso algo que não sei nomear, mas que é suave e, ao mesmo tempo,...

Convite

    Aceitei o convite para um sarau que mais parecia um serão — ou melhor, um velório.   A anfitriã era a culpa, que desfiava veneno sem constrangimento. A desventura regozijava-se, tendo o destino como cúmplice.   No canto da sala, comentários de vitimização rememoravam dores ao sabor de chá amargo. O passado tinha cheiro fétido.   Um piano solitário e a marcha fúnebre anunciavam a iminência do devir.   Ninguém se acercava do caixão, ninguém lamentava o defunto.   A esperança circulava, aflita, como testemunha invisível.   Saí atônita do inusitado velório. Como não queria ficar só, a insônia me fez companhia.

Padrão inconsciente

    “Você ama tentando resolver algo antigo, tentando finalmente ser escolhida, ser vista.” ana_emvozbaixa   Percebi que os parceiros que escolhi tinham algo em comum: infidelidade, indisponibilidade emocional, rompantes de agressividade ou hostilidade passiva e vícios – todos tinham traços do meu pai.    Eu vivia um paradoxo: queria carinho de quem possivelmente nunca recebeu; pedia gentileza e atenção de quem era indisponível afetivamente; não suportava quem ele se transformava quando estava alcoolizado. Como era de se esperar, um dia a ficha caiu, eu me desiludi e fui embora.    Eu os escolhi porque queria que eles reparassem o que vivi no passado, queria “consertá-los” e isso era impossível.    Não conhecia outro modo de me relacionar senão aquele que aprendi na infância.    Depois fiquei sabendo que essa atitude é um padrão inconsciente, e eu iria repeti-lo indefinidamente se não tomasse consciência da existência dele e do quão...

O arco-íris do amor

O amor é como um arco-íris: vermelho é chama de pavio curto; amarelo é luz de si e do outro; rosa é flor que desabrochou e permanece.   Quanto mais as cores se combinam, mais bela é a obra mais harmonia traz.   Quando o vermelho decanta, converte-se em rosa, que acolhe todas as cores.   Há dias em que falta inspiração: a mão pesa, a tela borra, à obra faltam contraste e nitidez.   Quem abandona a pintura deixa a tela em branco.   Mas quem brinca com as cores vê, na tela inacabada do outro, sua composição mais autêntica.   Quando a obra é feita a dois, o arco começa a ter forma — ainda que falte uma cor.

Estamos interconectados

    Passei perto de um atropelamento, mas não parei para socorrer a pessoa ferida. Pensei em várias justificativas para aliviar minha consciência:  vou me atrasar para o trabalho; e se ele desmaiar e pensarem que fui eu que o atropelei? Vão querer que eu me responsabilize por ele no hospital; vou sujar meu carro de sangue; ele não é meu conhecido.   Tempos depois, colidi com um carro. Fiquei zonza, desnorteada. Logo, um rapaz numa bicicleta pediu que eu baixasse o vidro e perguntou se eu precisava de ajuda.   Fiquei agradecida, mas também envergonhada. Quando foi minha vez de prestar assistência, o egoísmo falou mais alto.   É comum as pessoas — inclusive eu — pensarem: “Não é comigo” e seguirem adiante, sem olhar para trás. Naquele dia, entendi como estamos todos interligados: o que acontece com um diz respeito a todos.   Estamos vendo, agora, a repercussão da guerra no Oriente Médio em nosso país: escassez de alguns produtos, aumento de preços, preju...