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MAIS LIDA

Coleção Literária com 28 livros de Virgínia Barbosa Leal

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VIRGÍNIA LEAL: Sou livre pensadora, trago meu ponto de vista à reflexão nos meus escritos. "Tenho 28 livros publicados e, ao longo da minha trajetória, atravessei diferentes formas de escrita e temas: filosóficos, sociais e, hoje, autorreflexivos em forma de crônicas poéticas e poesias. Com o tempo, mudaram meu olhar, meus interesses e também os leitores. O que permanece é meu propósito: levar reflexão e questionamento através da palavra. Tudo o que escrevo nasce das leituras que fiz e das experiências que vivi. É apenas meu modo de olhar a vida. Agradeço a todos que caminham comigo através da escrita e ajudam minha mensagem a seguir adiante", Virgínia Leal. _____________________ Crônicas da Vida Baixe e Leia o livro  Crônicas da Vida em PDF inda estar num nível menor de imaturidade evolutiva. _____________________ Ciclos da Vida Baixe e Leia o livro  Ciclo da Vida em PDF A vida se renova. A cada instante, uma pessoa nasce, ao passo que outra morre; enquanto um bebê dá os pri...

Reintegração

  Às vezes me esqueço da ligação que tenho com a terra.   Ela me acolhe  como o casulo que testemunha a lagarta virar borboleta.   Quando me sinto sem chão, me afundo na terra, onde crescem invisíveis minhas raízes.   Quando estou  imersa nela sorvo o húmus materno, de onde vim e para onde retorno.    Não é queda, nem ocultação.   É no solo fértil, que atendo  ao chamado da luz.

Reorganização interna

  Custo a conciliar razão e coração, como se fossem duas partes separadas de mim.   Se a criança me comanda, sou lançada tal qual uma bola que rola em brinquedos.   Se a razão segue à frente, me falta  encantamento, sinto  frio insosso.   Todos querem exclusividade, ninguém pergunta o que eu quero.     O hábito me leva ao condicionamento, o condicionamento à repetição, a repetição ao automatismo.   Minha imaginação é um cavalo chucro que não quero domar.   Enquanto ela lidera, todos os extremos se curvam, se conciliam.   É ela  que reorganiza a hierarquia  interna.   Então a criança não quer mais mandar: ensina a razão  a brincar, e o coração  a ouvir.  

Não precisa de convite

É como um sensor de presença: basta se aproximar que ele se ativa.   A vida não precisa de convite, nem de portas abertas para o livre trânsito.   A liberdade é você quem cria. Não espere ser chamado.   Primeiro, há que soltar as amarras ilusórias.   Dar o primeiro passo, aproximar-se, demonstrar interesse.   Então, a vida responde automaticamente.

Sublimação

  Quando eu era criança — e até hoje — não me limito a assistir a um filme: entro nele, sou uma das personagens.   Faço caras e bocas, me emociono, choro e rio.   Naquele tempo, eu já havia congelado as emoções; elas precisavam de uma válvula de escape: escolheram a arte.   Elegi a escrita para nomear o que está confuso, o que ainda não compreendo.   É a forma que encontrei de sublimar não apenas a agressividade e a ansiedade, mas também a energia sexual.

Maior que eu

  Às vezes o sonho é tão grande que me ultrapassa. Me encanta, me seduz e depois me escapa.   O sonho é uma lamparina que se avista ao longe, um farol aceso na noite fria: luz que, ao iluminar, não escolhe viajantes, nem promete uma viagem amena.   Já me deixei levar por ele — a correnteza me arrebatou e me lançou contra as pedras.   Das pedras, tornei a vê-lo: um ponto distante e firme sobre o mar da vida.   À margem do sonho perdido, eu, anfíbia, sigo, enquanto as estrelas foram minhas guias.

Sem regalias

  Sonhei que a empresa em que trabalhava extinguiu todos os cargos de chefia,  mas a carga de trabalho continuou  a mesma.   Fiquei matutando: já sou aposentada  há mais de dez anos, por que   esse sonho agora?   Então a voz da intuição respondeu: o trabalho espiritual  e o de autoconhecimento não tem regalias, todos precisam enfrentar a carga de esforço necessária  ao próprio aprendizado.   E a recompensa é o progresso do indivíduo.   O espiritismo fala de bônus horas adquiridos com os trabalhos no mundo espiritual. Gosto de pensar que eles não representam privilégios, mas o regristo do empenho e da dedicação que ampliam o nível de consciência.    Ainda que se ocupe cargo de liderança, isso faz parte da trajetória evolutiva.   Não há privilégios:  a cada um é designada a tarefa  de acordo com seu nível de aprendizado alcançado.    Creio que serei encaminhada para a esfera de consciência compa...

Oito ou oitenta

  Já fui um cavalo sem viseira, desenfreado: passava por cima de tudo.   Agora sou  uma tartaruga de passos curtos. e cautelosos.   Deixo tudo  para depois, mas depois é um lugar inatingível:   depois arrumo  as roupas, lavo os pratos.   Não encontro um meio termo entre oito e oitenta.   Talvez a solução seja não fazer nada -   como sempre.