Desencontros
Estou assistindo a um seriado em que um jovem gosta de uma menina, mas a timidez não ajuda, apesar das várias tentativas que ela faz para se aproximar dele.
Lembrei-me de quando tinha catorze anos e me apaixonei pelo vizinho. Tomei coragem e coloquei, na janela dele, um bilhete me declarando. Ele respondeu também com um bilhete, dizendo que não se interessava por garotas oferecidas.
Dez anos se passaram. Casualmente, nos encontramos, e ele me disse que se arrependeu de ter me dado um fora, que era muito imaturo. Mas, a essa altura, eu já estava casada, e a paixão adolescente já havia passado.
Antes disso, o primo dele tomou a iniciativa e me procurou. Ofereceu-me uvas, mas fiquei sem ação e, quando mamãe me chamou, entrei em casa sem dizer nada. Na semana seguinte, ele passou pela frente da minha casa, desfilando com sua namorada. Na época, sofri muito, mas hoje penso que ele achou que eu o ignorei.
Fico pensando quantos desencontros acontecem porque um ou ambos, por timidez, orgulho ou preconceito, perdem a oportunidade.
Provavelmente teria sido apenas um namorico de verão, já que éramos adolescentes. Entretanto, fico imaginando como teria sido minha vida se tivéssemos ficado juntos.
A realidade é que encontros que não prosperam são apenas experiências de aprendizagem. Só aprendemos com os erros, e as decepções nos ajudam a amadurecer.
No entanto, esses desencontros me marcaram tão fundo que até hoje não os esqueci. É o que acontece com paixões não correspondidas.
Comentários
Postar um comentário