Sensibilidade mental
Quando escuto uma música ou vejo um show inéditos — especialmente em língua estrangeira — raramente sou apreendida de imediato. Preciso conhecer a tradução da letra, os comentários sobre o conceito. Aí, sim, revejo, escuto novamente e me sensibilizo.
A força da repetição me faz sentir cada detalhe: entonação, timbre e acorde.
Mas há músicas cuja melodia me toca logo ao primeiro contato. Minha sensibilidade está fortemente interligada ao mental. Torno-me os acordes de uma música clássica, em sua dinâmica e andamento.
Quando se trata de escultura, aquarela ou poema, é diferente. O canal que acesso vai além do mental — ou melhor, o mental se neutraliza, deixa de predominar. Primeiro vem a emoção, e muitas vezes só ela basta. Não preciso entender para ser cativada — e, talvez, entender atrapalhe.
Não sei o que seria de mim sem a arte. Ela me arrebata, me tira de dentro da caixa e me faz voar. E, do alto, acesso algo que não sei nomear, mas que é suave e, ao mesmo tempo, intenso; simultaneamente calmo e tempestuoso.
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