Como lidei com o medo
“Nossos vínculos iniciais moldam nosso padrão de segurança emocional.” @trevisangustavo
Na minha infância, eu sentia medo o tempo todo. Meus pais brigavam muito, gritavam um com o outro, minha mãe desmaiava. Eu tinha medo de que essa hostilidade se voltasse contra mim, medo de que minha mãe morresse.
Não havia a quem pedir ajuda: meus irmãos sofriam como eu; eu temia recorrer aos meus pais, já que o medo tinha origem na conduta deles.
O medo, para mim, era algo difícil de lidar. A menina que fui, para sobreviver, criou a máscara da poderosa: eu não podia demonstrar fraqueza, então escondia o medo. A estratégia era tentar congelá-lo.
Na vida adulta, não pude mais evitá-lo. Na minha primeira audiência judicial, surtei: suava e tremia muito. Mesmo tentando disfarçar, não consegui. A partir desse dia, não pude mais ignorar o medo.
Passei a senti-lo de forma exagerada, desproporcional, até em situações em que não havia ameaça.
Percebi que, em mim, o medo se expandiu — generalizou-se para situações de apego, de vontade tenaz, de obstinação. Medo do futuro, de que meus planos fracassassem, de não ser boa o suficiente, medo de ser julgada.
Não fosse o trabalho do Pathwork, talvez tivesse desenvolvido a síndrome do pânico. A solução que encontrei para lidar com ele foi me perguntar: “se acontecer o que temo, eu sobrevivo?” Ou: “se o que tanto desejo não acontecer, eu morro?”
O medo é o oposto do amor: quanto mais me permito abrir o coração, menos medo sinto.
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