A trajetória do medo
Quando eu era criança
convivi com o terror:
vozes hostis
que ameaçavam
se voltar contra mim.
Como pedir ajuda,
se quem eu temia
era quem deveria
me proteger?
Para sobreviver,
criei a máscara
do poder —
tornei-me inatingível.
Quando cresci,
a máscara
se desgastou:
o medo fugia
pelas frestas.
Via fantasmas
em plena luz do dia;
uma sombra
inominável
me intimidava.
Era real
o que sentia?
O que aconteceria
se a confrontasse?
Um anjo me disse:
“quanto mais o amor
se expande em você,
mais a nuvem negra
se dissipa.”
Quando a nuvem negra
volta a me rondar,
ergo os olhos e percebo:
o céu azul
e o sol irradiante
ainda estão
a me abrigar.
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