A trajetória do medo


Quando eu era criança

convivi com o terror:

vozes hostis

que ameaçavam

se voltar contra mim.

 

Como pedir ajuda,

se quem eu temia

era quem deveria

me proteger?

 

Para sobreviver,

criei a máscara

do poder —

tornei-me inatingível.

 

Quando cresci,

a máscara

se desgastou:

o medo fugia

pelas frestas.

 

Via fantasmas

em plena luz do dia;

uma sombra

inominável

me intimidava.

 

 

Era real

o que sentia?

O que aconteceria

se a confrontasse?

 

Um anjo me disse:

 

“quanto mais o amor

se expande em você,

mais a nuvem negra

se dissipa.”

 

Quando a nuvem negra

volta a me rondar,

ergo os olhos e percebo:

o céu azul

e o sol irradiante

ainda estão 

a me abrigar.

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Coleção Literária com 28 livros de Virgínia Barbosa Leal

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