Mudar dói?


 

No calendário maia, 

sou tormenta azul ressonante. 

Em mim, mudança, sempre veio 

em forma de tempestade –

mas não precisava.

 

A última foi  suave, 

e entendi por quê. 

 

A dor não vinha da mudança, 

mas da resistência.

 

Dor e medo são do ego; 

ele se contrai 

quando perde o controle.

 

Sim, a mudança dói – 

porque desmonta o que é rígido

para que algo novo respire. 

 

A borboleta rompe o casulo.

Os ossos reclamam quando o corpo cresce. 

A agulha fere menos 

quando não se resiste. 

 

O que pesa

é puxar a corda no sentido contrário,

remar contra a maré,

segurar quando

o movimento já começou.

Cansaço inútil. 

 

Porque no fim,

o corpo cede, 

a mente desiste

a vida segue.

 

Mudamos o tempo todo – 

mesmo sem perceber.

 

Mas quando percebemos,

o ego tenta impedir.

 

Agora eu sei:

seguir o fluxo

não elimina a dor – 

mas a torna suportável. 

 

 

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