A noite escura da alma
“A noite escura da alma é um processo muito profundo e muito radical.” — Tiago Machado
Eu já atravessei a noite escura da alma sem saber nomear o que estava acontecendo comigo.
Eu me senti vazia. A vida não tinha mais sentido. Perdi o interesse por tudo: o trabalho, as relações, aquilo que me dava prazer.
Fiquei flutuando num vazio escuro, sem norte, sem esperança, sem sentir.
Não era depressão. Era algo mais profundo, mais desolador, que nem o medo era capaz de penetrar.
Estava plenamente consciente e, ao mesmo tempo, num vácuo que mais parecia inexistência.
Isso não me impedia de levantar da cama e fazer o que era preciso, mas o movimento era automático.
Algo me impulsionava a continuar seguindo, confiante de que, uma hora, esse estado d’alma iria passar e algo novo viria dessa experiência.
Estava gestando um novo eu, mas o antigo debatia-se, pois sabia que sua hora derradeira havia chegado.
Uma semente surgiria e germinaria uma nova fase de minha vida: um renascimento.
A noite escura da alma é um tipo de morte em vida; é a fase da evolução em que regredimos ao embrião para começar uma nova vida, sem precisar reencarnar, preservando a memória de quem fomos antes.
Quanto mais nos entregarmos ao processo, mais leve ele se torna –
mais profunda é a mudança que nos refaz.
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