Minha morada
Tudo era festa
na minha chegada.
Naquela casa
sou cuidada e amada.
Por um tempo
Permaneci nela,
sem saber de sua
existência.
Aos poucos,
tomei consciência
de sua presença.
Encanto-me
com paredes e móveis;
há lugares escondidos —
dizem ser
para minha segurança.
Ela segue comigo,
tenho dela
pleno domínio.
Da janela
descubro o mundo,
vejo pessoas
dentro
de suas casas.
A cada dia
ela se expande,
torna-se mais bonita,
e as pessoas
a admiram.
Descobri
que aquilo que sinto
vem dela,
assim como
o cansaço
e o sono.
O tempo é voraz:
corrói paredes
e piso:
Sinais
de que o prazo
de locação
está vencendo.
Se não cuidar bem dela,
posso ser expulsa
antes do tempo.
O mais triste
é que, findo o prazo,
a casa que habito
não pode ser consertada:
não servirá
para mais ninguém.
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