Minha morada


 

Tudo era festa 

na minha chegada.

Naquela casa 

sou cuidada e amada.

 

Por um tempo 

Permaneci nela,

sem saber de sua

existência.

 

Aos poucos,

tomei consciência 

de sua presença.

 

Encanto-me 

com paredes e móveis;

há lugares escondidos —

dizem ser 

para minha segurança.

 

Ela segue comigo,

tenho dela 

pleno domínio.

 

Da janela 

descubro o mundo,

vejo pessoas 

dentro 

de suas casas.

 

 

A cada dia 

ela se expande,

torna-se mais bonita, 

e as pessoas 

a admiram.

 

Descobri 

que aquilo que sinto

vem dela,

assim como 

o cansaço 

e o sono.

 

O tempo é voraz: 

corrói paredes 

e piso:

 

Sinais 

de que o prazo 

de locação 

está vencendo.

 

Se não cuidar bem dela, 

posso ser expulsa 

antes do tempo.

 

O mais triste 

é que, findo o prazo,

a casa que habito 

não pode ser consertada:

não servirá 

para mais ninguém.

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Coleção Literária com 28 livros de Virgínia Barbosa Leal

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