Fecundar-me
Às vezes me flagro com o olhar fixo
no vazio,
a mente oca,
sem nada sentir.
Não sei se a sensação
é de conforto
ou de estranhamento.
Quando estou assim,
sou pele de cobra
deixada para trás,
sombra a flutuar
no vácuo do tempo.
Mudo a cada momento
e, muitas vezes,
nem me reconheço.
Perturbam-me
as oscilações de humor;
volto ao olhar errante
quando a vida dói.
Sou o obstáculo
que atravessa
meu caminho —
o obstáculo
e a solução.
Se me apego
a alguém
ou a alguma coisa,
vejo-me de fora.
Perco-me sempre
que esqueço
de me voltar
para dentro.
Quem sabe, um dia
eu me fecunde?
Comentários
Postar um comentário