Lealdade desleal

 


Conta-se que a pequena perguntou à mãe por que ela cortava o rabo e a cabeça do peixe antes de assar no forno, e a mãe disse que aprendeu com a mãe dela a fazer assim. Curiosa, ela perguntou à avó, e ela disse que a assadeira que tinha era pequena e não cabia o peixe inteiro.


Às vezes, agimos de uma determinada forma sem saber que estamos reproduzindo um hábito que não é nosso.


Conheci alguém que não sabia por que não era feliz. De forma consciente, fazia tudo para realizar seus desejos, para prosperar, mas morria na praia.


Sentia-se ingrata à vida, que lhe deu tanto; no entanto, não era feliz.


Até que lembrou que os pais viviam brigando, e a mãe suspirava, chorava pelos cantos.


Há quem tome as dores dos pais e reproduza o padrão de relacionamento deles sem ter consciência. Como aquela pequena poderia ser feliz se a mãe não era? Aos olhos dela, parecia traição.


Finalmente, entendeu o porquê dos seus autoboicotes, de viver triste sem razão.


Perceber que lealdade não é repetir a vida da mãe, mas fazer o que ela não conseguiu, tirou dela um peso dos ombros. Entendeu que não é traição viver a sua própria vida.


Na visão sistêmica, honrar pai e mãe não é repetir seus destinos, mas viver o seu plenamente.

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