Independência ou isolamento
Ouvi numa conversa alguém dizer:
“ Talvez essa independência não seja uma virtude, mas uma cicatriz”.
Lembrei que mamãe dizia com frequência: “estude para nunca precisar de homem”. E eu estudei, conquistei independência financeira, ascendi profissionalmente, acumulei patrimônio. Mas uma coisa ela não disse: “cuide-se para não depender emocionalmente de ninguém”. Segui os passos de minha mãe, mas não cuidei da minha carência emocional e essa era a pior dependência que alguém pode ter. Havia uma ferida em meu coração que até então não conseguia cicatrizar.
Depois de três relacionamentos que não sustentei, entre outros motivos porque o medo de ser abandonada era maior do que a vontade de ficar, fiz da minha casa era ao mesmo tempo meu reduto e minha prisão. Transformei-a em zona de conforto, não precisava conviver com ninguém, tinha liberdade para usá-la como bem entendesse. No início, a solidão gritou mais alto, mas não o bastante para me motivar a ir ao encontro dos outros. Minha terapeuta insistia que eu precisava me arriscar.
Ao abrir meu coração, sai do cárcere que eu mesma construí e me arrisquei a participar de eventos, de convidar e aceitar convites. A ameaça que sentia não era real, afinal estava mais madura, tinha discernimento para escolher com quem queria conviver.
O amor não me obriga a ficar com quem se interessa por mim, preciso me escutar e sentir se esse interesse é recíproco. O amor é o sentimento primordial que aproxima as pessoas, mas ainda assim tenho a escolha de não conviver com quem não tem os mesmos princípios e propósitos que eu. Posso continuar amando à distância. Essa constatação afastou o medo ilusório, me deu aterramento e confiança em expandir meu amor sem reservas. Saí do isolamento, em busca da independência afetiva.
Mas ainda me pergunto: " Será que estou mesmo pronta para sustentar essa mudança?
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