Caminhos sem volta

  

A mente não sabe para onde meus pés me levam. Enquanto ela viaja em mil direções, o caminhar é quase automático. Quantas vezes eu me dei conta de onde estava e não sabia como cheguei ali?

 

A mente inquieta se distrai com facilidade, se dispersa, divaga, faz link com memórias, com ideias, ou adianta a linha de raciocínio de quem fala. E quando volto ao presente já perdi o fio da meada e não consigo mais acompanhar a conversa.

 

Vou mais além, as escolhas que fiz na vida foram direcionadas pelo impulso do momento. Não é como se eu estivesse seguindo o fluxo da vida, e não é verdade que “o acaso vai me proteger enquanto eu andar distraída.”

 

Foi assim na maior parte de minha vida, e por não estar no presente, não desfrutei do momento. Esses instantes perdidos não se recuperam mais. 

 

Quando penso como seria se eu tivesse feito escolhas conscientes, vejo a impossibilidade, porque não sou mais a mesma e o tempo não volta, nem eu volto para o mesmo lugar, não há como reproduzir o que passou.

 

Jung dizia: “sempre o presente ausente.”

Não existe volta e sim ir de novo, uma nova trajetória, ainda que fisicamente o lugar aparente ser o mesmo. 

 

Me deixar levar pelo impulso é uma escolha inconsciente e perigosa, porque o impulso pode mudar de direção, escolher outra possibilidade sem previsão, só vou saber o resultado quando acontecer.  

 

Enquanto eu me encontrar com um pé no passado e outro no futuro, estarei no limbo da experiência humana, em estado de letargia. 

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