Os últimos serão os primeiros

 

 

Não gostava do meu nome: eu era sempre uma das últimas a ser chamada.

Depois, passei a me reconhecer nele — V de vitória, Virgínia de virtudes.

 

Hoje vi, na prática, que os últimos podem ser os primeiros.

 

Era uma fila, tipo trenzinho. Em vez de crescer atrás, crescia à frente.

A escolha de quem liderava era aleatória. Imagino a angústia de não ser escolhido, o medo de ficar para trás.

 

Mas aconteceu o inverso: ninguém o escolheu — e, por isso mesmo, quem estava à frente precisou chamá-lo.

E ele ficou, definitivamente, na frente.

 

Percebi que ficar por último é um conceito relativo.

Depende do que se valoriza, do tempo que se mede, do olhar que compara.

 

Eu era das últimas a receber a prova

e das primeiras a entregá-la.

Das últimas a saber a nota —

e, muitas vezes, a que tirava a maior.

 

Sempre tive a sensação de atraso.

Via os outros avançarem enquanto eu demorava —

lenta para assimilar, resistente a certos conceitos.

 

Mas, quando compreendia, era por inteiro.

E, mesmo no meu tempo, eu avançava tanto quanto eles.

 

Não há comparação possível quando o que sabemos do outro é raso —

e quase sempre é.

 

A chave foi simples:

parar de medir meu ritmo pelo passo alheio.

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Coleção Literária com 28 livros de Virgínia Barbosa Leal

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