Os últimos serão os primeiros
Não gostava do meu nome: eu era sempre uma das últimas a ser chamada.
Depois, passei a me reconhecer nele — V de vitória, Virgínia de virtudes.
Hoje vi, na prática, que os últimos podem ser os primeiros.
Era uma fila, tipo trenzinho. Em vez de crescer atrás, crescia à frente.
A escolha de quem liderava era aleatória. Imagino a angústia de não ser escolhido, o medo de ficar para trás.
Mas aconteceu o inverso: ninguém o escolheu — e, por isso mesmo, quem estava à frente precisou chamá-lo.
E ele ficou, definitivamente, na frente.
Percebi que ficar por último é um conceito relativo.
Depende do que se valoriza, do tempo que se mede, do olhar que compara.
Eu era das últimas a receber a prova
e das primeiras a entregá-la.
Das últimas a saber a nota —
e, muitas vezes, a que tirava a maior.
Sempre tive a sensação de atraso.
Via os outros avançarem enquanto eu demorava —
lenta para assimilar, resistente a certos conceitos.
Mas, quando compreendia, era por inteiro.
E, mesmo no meu tempo, eu avançava tanto quanto eles.
Não há comparação possível quando o que sabemos do outro é raso —
e quase sempre é.
A chave foi simples:
parar de medir meu ritmo pelo passo alheio.
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