Ser vulnerável
“ Porque toda vez que você precisou de alguém no passado esse alguém falhou, né? Então você decidiu nunca mais ficar nessa posição.” (autossuficiência ou medo de ser cuidada?) @andrémariga
A criança que fui se sentia desprotegida, mas ao mesmo tempo não pedia ajuda, por orgulho ou medo de se expor. Para sobreviver, colocou a máscara da autossuficiência. Dizia a si mesma: “não preciso de ninguém”.
Quando fiquei adulta, era aquela que estava sempre disponível para cuidar de meus irmãos mais novos, só que era “do meu jeito”, jeito que aprendi com meus pais: na base da repreensão e prepotência.
Como tudo que é falso um dia é descoberto, chegou o momento em que não dei mais conta da sobrecarga que eu escolhi carregar. E foi através da depressão que eu conheci a vulnerabilidade.
Na verdade, eu nunca tive independência emocional. Paguei um preço muito alto para ter alguém ao meu lado, na expectativa de ser protegida e receber os cuidados que a menina queria e não recebeu. Como na infância, não pedia ajuda, e o pior, ficava ressentida porque o parceiro não adivinhava o que eu queria. Só que ninguém é capaz de suprir carência emocional de ninguém. Confundia isolamento com autossuficiência.
Entendi da pior forma que todos precisam de ajuda em algum momento. Mas a mulher poderosa e orgulhosa que eu ostentava ser não podia demonstrar fraqueza.
Ser vulnerável não é fraqueza, é a capacidade de demonstrar sensibilidade, de se revelar por inteira, tanto as qualidades quanto os defeitos. É a coragem de ser autêntica. É saber que pedir ajuda não significa fragilidade, mas humildade em reconhecer que há momentos emocionais em que estar só é mais difícil de superá-los.
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