A voz que não quero ouvir

 

 

Dentro de mim há uma voz que orienta, rege, conduz. Uma hora é sussurro, outra hora grita a plenos pulmões, e pode emudecer se não quero lhe ouvir. Nem sempre a escuto e quando ouço, às vezes não lhe dou atenção. Se choro, ela me consola, se me entusiasmo, pede cautela, se fico apática, me tira da zona de conforto. Ela me diz verdades amargas, traz clareza e consciência quando a acolho. 

 

Quando ela chega pela intuição, tenho impulso e movimentos involuntários. É quando consigo silenciar o burburinho da mente, o “por quê” e o “se”. Então saio do marasmo, confio e sigo, mesmo sem saber para onde e o que fazer. Ao resistir ao movimento da alma, a vida me sacode e me lança sabe-se lá onde. 

 

Quando nos damos conta de que seria mais fácil se nos rendêssemos à luz, mesmo sem entendermos, mesmo nos contrariando, a vida seria muito mais fácil, mais fluida, mais leve, e viveríamos em paz.

 

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Coleção Literária com 28 livros de Virgínia Barbosa Leal

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