“ A noite escura da alma é um processo muito profundo e muito radical.” — Tiago Machado Eu já atravessei a noite escura da alma sem saber nomear o que estava acontecendo comigo. Eu me senti vazia. A vida não tinha mais sentido. Perdi o interesse por tudo: o trabalho, as relações, aquilo que me dava prazer. Fiquei flutuando num vazio escuro, sem norte, sem esperança, sem sentir. Não era depressão. Era algo mais profundo, mais desolador, que nem o medo era capaz de penetrar. Estava plenamente consciente e, ao mesmo tempo, num vácuo que mais parecia inexistência. Isso não me impedia de levantar da cama e fazer o que era preciso, mas o movimento era automático. Algo me impulsionava a continuar seguindo, confiante de que, uma hora, esse estado d’alma iria passar e algo novo viria dessa experiência. Estava gestando um novo eu, mas o antigo debatia-se, pois sabia que sua hora derradeira havia chegado. Uma semente surgiria e ...