A mãe de ...
Ser mãe não é só um título,
é uma identidade.
Você não é mais conhecida
pelo seu nome, ou pelo que
faz: vira “mãe de ...”
Sua vida vira de ponta cabeça:
a sala de visitas vira parquinho,
as paredes da casa
passa a ser obras de “arte”.
As noites deixam de ser suas:
pertencem ao choro, à mamadeira,
à troca de fraldas.
O marido fica em segundo plano,
e o guarda-roupa
se resume a roupas confortáveis.
Os passeios tornam-se dos filhos.
Você vira motorista:
para encontrar amiguinhos,
para festas na escola,
para consultas médicas.
Bolsa de grife, nem pensar –
agora carrega um mundo
na bagagem.
Amigas passam a ser
as mães dos amigos deles;
sua vida gira em torno deles.
Quando crescem,
você também perde o sono –
esperando que voltem para casa.
Mesmo adultos,
a mãe também é colo:
para consolar
quando o namoro termina,
para aconselhar
para acolher quando
o mundo desmorona.
O trabalho nunca termina.
Ainda assim, pergunte
a uma mãe se ela gostaria
estar livre de tudo isso.
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