O que pode o espelho


 

Olho-me no espelho

e não me reconheço.

 

O que ele expõe

não é o personagem

que criei: 

é diferente.

 

Não me percebo,

porque a imagem

é de uma desconhecida

em mim.

 

A rapidez 

com que mudo

me torna

um caleidoscópio

em movimento.

 

Movimento tão veloz

que não consigo

me ver. 

 

Talvez o espelho

me oculte

para eu não

me acomodar

na sedimentação.

 

Quem ele 

me mostra

acende o desejo 

de me conhecer

sem me identificar.

 

A identidade

é um porto

de águas

estagnadas.

 

 

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Coleção Literária com 28 livros de Virgínia Barbosa Leal

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