Não estamos no mesmo barco
“Não estamos no mesmo barco, estamos no mesmo mar.” @tiago.machado
Na infância, eu flutuava sobre as águas;
o ritmo da dança e a imaginação
me davam movimento sem esforço.
A consciência da culpa por algo traumático
me jogou em águas caudalosas,
e quase me afoguei.
Por muito tempo não fiz escolhas;
o mar da vida me arrastava,
embora eu me debatesse
em sentido contrário.
Entrei no barco do esquecimento
e remei rumo a planos e objetivos.
O fluxo estava a meu favor,
mas não passava da superfície.
Quando o congelamento começou
a derreter com o calor que vinha
do inconsciente,
fui conduzida às profundezas do mar.
Só subia quando precisava respirar.
Pude me ver no reflexo das águas,
senti uma presença me amparando,
a cura acontecendo.
Adquiri mais fôlego
a cada descoberta que fazia sobre mim.
Um dia, não precisarei mais de barco
nem de remos;
simplesmente flutuarei
sobre o fluxo das águas,
transitando entre a superfície
e as profundezas,
como a leveza e a imaginação
infantil.
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