Perdi-me de mim
Antes
não sabia
quem eu era;
sem
todos os papeis
que ocupo,
o que sobraria?
Tal pergunta
me angustiava -
um vazio
sem contorno.
Não bastava
ser apenas
humana -
precisava encontrar
algo em mim,
algo singular.
Talvez, por isso,
desde jovem
faço terapia.
Quem sabe,
por essa razão
lembro tanto
de meus sonhos –
são pistas.
Aos poucos,
fui entendendo
que não é
possível
me definir
em uma frase.
Assim como muitos,
sou diversificada,
disposta
em vários
aspectos.
O tempo,
o humor,
as experiências
me moldam,
me mudam.
Não caibo
em um conceito –
sou impermanente,
assim como a vida.
Ao acordar,
me pergunto
qual a versão
em que me encontro –
nem sempre tenho resposta.
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