Labirinto de espelhos
Conhecer-se é ver-se multiplicado
em um labirinto de espelhos.
Ali, imagens distorcidas confundem
os reflexos sobrepostos que as compõem.
Quanto mais se adentra o labirinto,
mais nítidas e distintas elas se tornam.
Em algumas, a pessoa se reconhece;
em outras, há estranheza.
Conhecer-se é aventurar-se
no labirinto de si,
com compaixão, humor e curiosidade.
Há lugares inacessíveis,
e o recuo será necessário,
até o momento propício
de se abrir passagem.
A cada travessia,
imagens ocultas se revelam.
Para não se perder lá dentro,
é preciso lembrar de levar
o fio numinoso do amor
e, com ele, marcar o caminho de volta.
(do livro Invisíveis vozes, 2023)
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