Entre o amor e o que você sente
Eu achava que amar era aceitar tudo do outro.
Demorou, mas aprendi: eu não amava quem me fazia sofrer.
Sem perceber, escolhi alguém pela forma como me fazia sentir —
pela intensidade com que tocava minhas feridas emocionais.
Quem ama deseja o bem do outro,
cultiva cuidado, oferece o melhor de si.
Mas já estive com quem despertava em mim o que eu tinha de pior.
Aceitar qualquer atitude não é amor.
É renunciar a quem sou,
é me diminuir para que a crueldade cresça,
é aprender a chamar de conforto aquilo que, no fundo, é dor.
Eu não sabia, mas o que me atraía era o que me era familiar.
Amar é aceitar o outro como ele é —
mas não é aceitar abuso, grosseria ou manipulação.
Mesmo que existam momentos de felicidade,
eles não justificam o que fere.
Hoje, quando alguém desperta meu interesse,
eu me observo.
Escuto o que sinto quando estou ao lado dele.
Porque é aí que está a chave:
saber se escolho com consciência
ou se apenas repito, em silêncio,
os padrões que um dia me feriram.
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