Convite
Aceitei o convite para um sarau
que mais parecia um serão
ou melhor, um velório.
A anfitriã era a culpa
que desfiava pecados
sem constrangimento.
A desventura regozijava-se
tendo o destino como cúmplice.
No canto da sala,
comentários nostálgicos
rememorando desgostos
ao sabor de chá amargo.
O passado tinha gosto de fel.
Grave piano em marcha fúnebre
anunciava a iminência do devir
Ninguém se acercava do caixão
Ninguém lamentava o defunto.
A esperança olhava o infinito
na expectativa da boa nova
Saí atônita do velório inusitado
Como não queria ficar só
a insônia me fez companhia
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