Por que a vítima de abuso também assedia?

 

 

Por muito tempo eu me sentia vítima de tudo que me acontecia, até mesmo quando alguém reagia à minha hostilidade. Em contrapartida, achava que tinha direito de ser agressiva, prepotente, dominadora como medida de proteção diante de um mundo hostil.

 

Para esconder minha covardia, medo e impotência vivia atrás de uma máscara de poder. Me tornei excessivamente disciplinada e rígida, intransigente em meu ponto de vista. Emanava uma energia que empurrava as pessoas para longe, assim ninguém era capaz de me revidar.

 

Com o tempo entendi por que construí essa pessoa inatingível. Diante da impotência que a criança que fui sentia diante do poder do molestador, ela precisou se sentir forte e controladora. Essa menina, que me acompanha na fase adulta, se defende com a agressividade que aprendeu no ambiente familiar. E a forma de não sucumbir ao assédio era assediando, ao mesmo tempo se protegia colocando uma barreira de proteção. Assim, tinha poder sobre os homens e não se sentia vulnerável. E quem agia por ela era o eu adulta.

 

Agora entendo quando o Pathwork afirma que o maior dos males é a ignorância. Não sabia dos danos que causava a mim e aos outros sendo como fui. Muito menos que era comandada pela consciência infantil. 

 

A terapia me ajudou a tomar consciência desse padrão de comportamento e sua causa. O mais importante foi assumir a responsabilidade pelos meus erros e aceitar as consequências e sua repercussão em minha vida. 

 

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