Salgueiro
No recomeço de tudo
o sopro da vida pulsa
no escuro útero
É a regressão do ser
a vestir-se de grão
O broto em mutação
cava a passagem de ida
ao desconhecido instante
de orvalho e de sol
de vento e de lua
Fiel ao fio que o ancora
oferta à generosa chã
altaneira fronde
de flores e frutos
À tormenta e sua ceifa
inclina-se em reverência
e doa-lhe imoladas folhas
adubo de gérmen latente
Cada nó, cada gume
urde a preciosa trama
que forma a antiga morada
de todas as eras
O sopro da vida pulsa
e tudo é recomeço
neste jeito humano de ser
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