De novo?
Há uma história que costumo contar:
há um buraco na calçada.
Na primeira vez, você não o vê,
cai e pede ajuda para sair.
Na segunda, você já sabe —
ainda assim cai,
mas consegue sair sozinho.
Na terceira, muda de calçada.
Não se muda da noite para o dia.
Repeti três vezes o mesmo padrão doentio de relacionamento:
no primeiro, não havia consciência;
no segundo, eu sabia —
e, ainda assim, repeti compulsivamente;
no terceiro, não evitei entrar,
mas reconheci o padrão
e saí.
A mudança é processo,
tem etapas —
e a repetição faz parte dele.
Cada queda não era a mesma.
O buraco mudava.
Eu também.
A repetição não é círculo,
é espiral: a cada volta,
um novo nível de elaboração.
Até que algo se assenta.
Até que a mudança fica.
Hoje, quando repito
o que já sei que não deveria,
não me recrimino.
Observo o que, em mim, já mudou —
e respeito o tempo da cura.
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