Revelações do inconsciente
Vez por outra lembro da minha primeira paixão adolescente e não entendia por que dava tanta importância a essas memórias tão antigas.
Recentemente, tive a resposta: era o inconsciente querendo que eu refletisse sobre o quanto aquilo que aconteceu influenciou o meu comportamento nas relações afetivas e de amizade futuras.
Eu me apaixonei pelo sobrinho de minha vizinha. Ficava horas no portão de casa, na esperança de vê-lo. Um dia ele me abordou e eu fiquei sem ação, sem saber o que dizer ou fazer. Nesse ínterim minha mãe me chamou e eu simplesmente fui embora sem dizer nada.
Não tive outra chance. Um tempo depois ele passou por mim de mãos dadas com um menina. Fiquei desolada. Depois me interessei pelo primo dele, que veio morar com a tia. Uma amiga me sugeriu deixar um bilhete me declarando, na janela do quarto dele e assim o fiz com o coração acelerado. No outro dia, recebi a resposta dele com outro bilhete: não se interessava por menina oferecida. Senti forte impacto com suas palavras e muita vergonha. Anos se passaram, e eu o reencontrei, agora adulto, e ele me confessou que se arrependeu de me rejeitar, que era muito imaturo naquele tempo. Mais uma vez fiquei sem ação e surpresa, mas a paixão já tinha acabado. Na verdade, acho que não cheguei a me apaixonar por ele, eu o usei para esquecer o primo e para me vingar dele.
Essas duas primeiras tentativas de namoro me deixaram esquiva, sem saber como agir: se não faço nada perco a chance; se tomo a iniciativa sou rejeitada e julgada de forma preconceituosa. Esse foi um dos fatores que determinou minha baixa autoestima.
Agora entendo por que nunca tomo a iniciativa para criar um vínculo, seja afetivo, seja de amizade. Quando alguém me escolhe, eu o acolho sem me perguntar o que sinto por ele. Foi a forma que encontrei para me sentir segura, de não ser julgada. No entanto, me sentia obrigada a ser receptiva, porque de outra forma eu nunca iria me relacionar.
Demorei a entender tudo isso porque precisava ficar forte emocionalmente para conseguir desfazer o equívoco da conclusão que tirei quando ainda era imatura. Agora, não me sinto mais obrigada a ficar com alguém, só porque me escolheu. Sinto muita gratidão por encontrar a raiz da dificuldade que tenho com relacionamentos. Comecei a dar mais atenção às revelações vindas do inconsciente.
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