Nau à deriva


 

Ao ondular o mar da vida

Comando minha nau

Assim pensava que fazia

 

Mesmo sem levar carga

Tem o peso das memórias

Que sussurram lamentos

 

Da face contraída e tensa

pelo esforço de esconder

nem mesma sei o quê

 

Dos ombros carregados 

De desejos e medo 

Que eu mesma reprimo

 

Não fosse o peso de tal fardo 

O vento sopraria a meu favor

Sem esforço para seguir

 

Não sou comandante da nau

Forças sinistras ancoram

O alegre e livre viver

 

Não fosse a vontade firme 

A disposição em me soltar

O empenho em me superar

A nau já estaria à deriva

 

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Coleção Literária com 28 livros de Virgínia Barbosa Leal

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