Nau à deriva
Ao ondular o mar da vida
Comando minha nau
Assim pensava que fazia
Mesmo sem levar carga
Tem o peso das memórias
Que sussurram lamentos
Da face contraída e tensa
pelo esforço de esconder
nem mesma sei o quê
Dos ombros carregados
De desejos e medo
Que eu mesma reprimo
Não fosse o peso de tal fardo
O vento sopraria a meu favor
Sem esforço para seguir
Não sou comandante da nau
Forças sinistras ancoram
O alegre e livre viver
Não fosse a vontade firme
A disposição em me soltar
O empenho em me superar
A nau já estaria à deriva
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