O equívoco do invejoso
“A inveja é da constituição humana ... o que eu quero puxar da sua mão não é o brinquedo, o que eu quero é a alegria que eu vi em você brincando com esse brinquedo.”
Santo Agostinho diz que “a inveja é tristeza pela alegria alheia.” Concordo em parte. Essa tristeza é por não ter o que o outro tem, tristeza por não ter conquistado o que dá alegria ao outro.
O que falta no invejoso é a consciência de que ele já tem o potencial para realizar esse desejo até então frustrado. Pode não ser a mesma coisa ou algo da mesma qualidade, mas ele é capaz de ter aquilo que o alegre, até melhor do que é do outro.
Só invejamos aquilo que também nos é inerente. Mas ao invés dele buscar a capacidade para obter o que deseja e ficar grato pelo outro ter lhe revelado algo que ele desconhecia, o invejoso quer tomar do outro.
O equívoco do invejoso é achar que para o outro foi fácil ter e não querer pagar o preço para conquistar o que quer.
Ele se julga incapaz de ter o que o outro tem. Meu filho costuma dizer: “se alguém já conseguiu, eu também consigo.” Essa certeza é o que distingue o invejoso do admirador.
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