Devotos de ano novo
Quando eu era jovem, o mês de dezembro era o período em que eu fazia o balanço do ano, avaliava os progressos que fiz e o que eu ainda precisava melhorar. Sempre fazia planos para o ano novo e tentava cumpri-los, mas alguns eram frustrados, ou porque surgia outras prioridades, ou por acomodação mesmo.
Agora, na idade madura, não faço mais planos, minha única ambição, se é posso dizer assim, é continuar no caminho de autoconhecimento e estar a serviço do próximo.
Quando chegamos à última etapa da vida, a consciência de que a morte pode me buscar a qualquer momento exige que eu viva o presente mais do que nunca.
Aproveitar o tempo que ainda me resta sem fazer planos, apenas ficando disponível aos prazeres e desafios do dia. Quando eu acordo, me pergunto: o que é que tem para hoje?
Essa atitude tem me rendido bons aprendizados e a vida se tornou mais leve. É raro me surpreender porque evito ter expectativas. Me preparo para o que quer que o dia traga para mim.
Estar presente me desvincula do tempo do relógio, me oportuniza usufruir de coisas que antes me negava porque estava deslocada para o passado ou para o futuro.
Então, no final do ano, os desvotos ressignificam a expectativa do que o ano novo me trará, e dá sequência a um dia após o outro.
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