tateando no escuro
Já passei por esse processo repetidas vezes, mas, quando ele retorna, não me sinto mais resiliente do que antes. Pelo contrário: sinto-me frágil, sem forças.
Por muitas noites, tenho sonhos que me preparam para esse momento. Neles, percebo que é mais fácil perdoar o outro do que perdoar a mim mesma.
Quando sou confrontada pela minha sombra, minha primeira reação ainda é negar sua existência. Bloqueio a memória para não sentir — mas, ainda assim, sou tomada por um mal-estar, um desânimo silencioso. Fico tateando no escuro, embora acender a luz dependa apenas de mim.
Meu reduto mais verdadeiro e sincero é quando me desloco para fora de mim durante o sono. Lá, as defesas se desfazem, e posso me ver por inteiro.
Agradeço a Deus pela bênção de lembrar o essencial do que vivi nesses momentos. Essas lembranças me ajudam a elaborar a experiência e a depurar as emoções que dela nascem.
Quando acordo sem memória alguma, mas tomada por um mal-estar, já sei: estou rejeitando um aspecto da minha sombra.
Então peço a Deus que me ajude a aceitar — a tornar consciente aquilo que nego. Espero o tempo de maturação: quando ganho força, abaixo a guarda e solto o orgulho.
Espero que, um dia, eu consiga facilitar algo tão simples — e tão profundo — quanto aceitar minha própria humanidade.
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