Ensaio sobre cegueira
“Não foi a cegueira dos olhos que me interessou, foi a cegueira da razão.” – Saramago
Não li o livro, mas assisti o filme. Ele destaca o dever de quem consegue ver enquanto os outros estão cegos.
Mas até aqueles que têm olhos de ver têm seu ponto cego. Esse ponto cego, comum a todos, despertos ou adormecidos é a ignorância. A chave é examinar onde está sua própria cegueira.
Em sempre fui voluntariosa, queria moldar a vida e não me adaptar a ela. Como era de se esperar, eu não conseguia meu intento e me sentia vítima de um agressor indeterminado.
Essa atitude me causou várias crises, chegando a entrar em colapso; desenvolvi alguns transtornos mentais. Não entendia que não eram as pessoas ou as circunstâncias responsáveis por eu ter chegado a esse ponto, mas minha própria atitude mental e emocional equivocada.
Até mesmo agora que despertei para a realidade e para o esforço em aceitar a vida e as pessoas como elas são, ainda há resquícios do desejo de que seja feita minha vontade e não a de Deus.
Ainda há em mim pontos cegos persistentes de ignorância.
Sei que desenvolvi resiliência para enfrentar qualquer condição indesejada e me ajustar a ela. Entretanto, algumas vezes falho na prova que a vida me submete porque ainda me falta humildade e flexibilidade. O ego ainda comanda minhas vontades e tornou-se tão sutil que tem momentos que nem percebo sua ação. A pista é quando entro em autojustificação para não mudar.
Para sair desse lugar de rebeldia, digo a mim mesma que sou eu que devo mudar e não a vida; que se Deus me põe a prova é porque sabe que dou conta; que devo me esforçar para fazer sua vontade.
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