Estamos interconectados
Passei perto de um atropelamento, mas não parei para socorrer a pessoa ferida. Pensei em várias justificativas para aliviar minha consciência: vou me atrasar para o trabalho; e se ele desmaiar e pensarem que fui eu que o atropelei? Vão querer que eu me responsabilize por ele no hospital; vou sujar meu carro de sangue; ele não é meu conhecido.
Tempos depois, colidi com um carro. Fiquei zonza, desnorteada. Logo, um rapaz numa bicicleta pediu que eu baixasse o vidro e perguntou se eu precisava de ajuda.
Fiquei agradecida, mas também envergonhada. Quando foi minha vez de prestar assistência, o egoísmo falou mais alto.
É comum as pessoas — inclusive eu — pensarem: “Não é comigo” e seguirem adiante, sem olhar para trás. Naquele dia, entendi como estamos todos interligados: o que acontece com um diz respeito a todos.
Estamos vendo, agora, a repercussão da guerra no Oriente Médio em nosso país: escassez de alguns produtos, aumento de preços, prejuízos na exportação. Tudo isso chegou até mim — o preço das compras aumentou.
Estou aprendendo a desenvolver senso comunitário e a não me tornar insensível diante das dificuldades e da dor dos outros. Porque tudo o que acontece com eles me alcança. É, de fato, comigo.
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