Sublimação
Quando eu era criança — e até hoje —
não me limito a assistir a um filme:
entro nele,
sou uma das personagens.
Faço caras e bocas,
me emociono,
choro e rio.
Naquele tempo,
eu já havia congelado
as emoções;
elas precisavam
de uma válvula de escape:
escolheram a arte.
Elegi a escrita
para nomear
o que está confuso,
o que ainda não compreendo.
É a forma
que encontrei
de sublimar
não apenas a agressividade
e a ansiedade,
mas também
a energia sexual.
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