Invisíveis vozes
Com frequência, me sinto
atormentada por rumores
mentais:
vozes rarefeitas,
sussurros queixosos de mim.
Duelo psíquico,
presságios
de eventos improváveis.
Gritos de alerta
em noites insones.
Ruídos ruminam
narrativas confusas,
invadem meus sonhos.
Múltiplos discursos,
em tom grave
e intimidador;
vozes que soam amistosas
escondem manipulação.
Em mim, há um clamor
indefinido,
uma súplica vazia.
Um lamento sem sentido
a abafar a voz lúcida,
preciosa para escutar,
de auscultar.
Dominarei a algazarra
que me tomou de assalto,
essa sonoridade temerosa?
Acaso o singular
me eximirá
do estigma
de ser comum?
(do livro Invisíveis vozes, 2023)
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