Ser quem você é
“Acho que é por isso que eu me sinto tão deslocada, porque eu acabei ficando lúcida demais, e isso incomoda algumas pessoas. Elas admiram alguém com coragem, até essa pessoa não pedir mais permissão.”
— Elis Morares
Quando digo que não consumo bebida alcoólica, as pessoas ficam desconfortáveis na minha presença e me julgam: ou estou querendo ser melhor do que elas, ou não sou deste planeta.
Quando digo que não gosto de filmes de suspense, terror e violência, sou taxada de fraca, melindrosa ou de misturar ficção com realidade.
Não é fácil agir fora da caixinha, não seguir a onda da vez, ser “estranha”.
Aos poucos, as pessoas deixaram de me convidar, foram se distanciando.
Achava que estava destinada ao isolamento, até que aqui e ali alguém não se importava com meu jeito de ser. Sempre é possível encontrar algo em comum, ainda que tenhamos pontos de vista diferentes.
Assumir quem eu sou tem preço: sentir-se deslocada, ter poucos amigos, ser alvo de julgamento e crítica.
Entretanto, vestir uma máscara de adequação e esconder a autenticidade cobram o preço de me perder de mim mesma.
Comentários
Postar um comentário