Mudar dói?


No calendário maia, eu sou tormenta azul ressonante. Mudança, em mim, sempre foi tempestuosa. Mas não precisava ser assim.


A última mudança que passei foi suave, e eu entendi por quê. A dor em mim não pode ser atribuída à mudança, mas à resistência em mudar.


Dor e medo são do ego; ele se sente ameaçado porque está perdendo o controle.


Sim, a mudança dói porque desmonta estruturas rígidas para que outras sejam construídas.


Para a borboleta, sair do casulo dói. Há uma fase do crescimento, na adolescência, em que os ossos doem para se ampliarem. Quando não resistimos à picada da agulha, ela dói menos. Essa dor é suportável.


O que torna a dor insuportável é puxar a corda em sentido contrário à mudança, remar contra a maré. São dor e cansaço inúteis, porque uma hora o corpo e a mente não aguentam e têm que ceder.


A toda hora estamos mudando sem perceber. E, quando percebemos, o ego quer impedir.


Entendi que seguir o fluxo natural das mudanças é a fórmula para passar por uma fase de transição de forma tranquila.

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