Não estamos no mesmo barco

 


É comum eu ouvir uma frase de alguém e ela me tocar. Dessa vez, foi a de Tiago Machado, que diz: “Não estamos no mesmo barco, estamos no mesmo mar.” @tiago.machado


Concordo com ele: cada um tem seu barco, embora muitos sigam em comboio, sem saber sequer para onde estão indo nem quem está no comando.


Há pessoas que entregam o leme a terceiros; outras não sabem navegar. Mas há aquelas que vão adquirindo o domínio do timão à medida que navegam.


Na infância, eu não precisava de barco: flutuava sobre o mar da vida. O ritmo da dança e a esteira da imaginação ditavam o movimento, sem esforço.


A consciência da culpa que senti por algo traumático me lançou em caudalosas águas, e quase não emergi.


Por muito tempo, não fiz escolhas. O mar da vida me arrastava, embora eu me debatesse em sentido contrário.


Entrei no barco do esquecimento e remei rumo a planos e objetivos. O fluxo estava a meu favor, mas não passava da superfície.


Quando o congelamento começou a derreter com o calor que vinha do inconsciente, fui conduzida às profundezas do mar. Só subia quando precisava respirar.


Lá, pude me ver no reflexo das águas, senti uma presença me amparando, a cura acontecendo. Adquiria mais fôlego a cada descoberta que fazia sobre mim.


Um dia, não precisarei mais de barco nem de remos. Simplesmente flutuarei sobre o fluxo das águas, transitando entre a superfície e as águas profundas, com o máximo de resultado e o mínimo de esforço.

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