Não se trata de perdão
Em um reels do Instagram, uma frase me chamou a atenção:
“Leva tempo para a cura das raízes chegar até os galhos, mas, olha, as frutas estão fartas.”
@tatiperona
Esse pensamento me ajudou a compreender como funciona a aceitação. Eu estava certa de que havia curado mágoas e ressentimentos. Mas a cura da mente leva um tempo até alcançar o coração. Posso até não sentir mais mágoa ou ressentimento, mas eles deixaram uma ferida — uma dor que ainda precisa de tempo para cicatrizar.
Pela minha experiência, não se trata de perdoar. O perdão, muitas vezes, me faz sentir superior. Também não se trata apenas de aceitar o que aconteceu, porque o fato, em si, apenas revela a falibilidade própria do ser humano. A cura definitiva só acontece com o reconhecimento da forma equivocada como interpretei o evento.
Na maioria das vezes, a mágoa ou o ressentimento eram contra mim mesma: por ter contribuído, de alguma forma, para a desavença, sem ter consciência disso; por ter me enganado a respeito da pessoa que praticou o ato, à revelia de todos os sinais que mostravam, com clareza, do que ela era capaz.
Não se trata de perdoá-lo ou a mim, mas de aceitar que todos somos passíveis de erro — e é justamente através deles que aprendemos a acertar. Afinal, mesmo com a mente adoecida e o coração ferido, ainda somos capazes de ofertar frutos.
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