Ética e Política - Virgínia Leal


 

            Atualmente a prática política vem sendo tão desvirtuada de sua finalidade maior que a palavra política tem sido associada à corrupção e ao uso desse poder em proveito próprio ou em proveito de uma minoria privilegiada.

 

            Em sua concepção, política é a ciência e a arte que tem por objetivo levar os seres humanos a atingir o cume de sua potência e aptidões, em prol de uma sociedade justa.

 

            Se a ética é o regramento das relações humanas em sociedade e a civilidade é adotar hábitos saudáveis ao convívio entre as pessoas, a política, de um lado é a responsabilidade do cidadão em trazer sua contribuição para o bem comum e do outro é a ação dos representantes do povo, no sentido de  conciliar  o conjunto de forças que conflitam entre si. É um arranjo, uma tentativa de equilíbrio das forças e dos interesses e necessidades díspares. A política se perfaz através  dos poderes executivo e legislativo, cada um com suas funções. Ao executivo é atribuída a tarefa de criar e aplicar políticas públicas voltada ao bem comum, e ao legislativo é conferido poder regulador das relações de várias naturezas jurídicas entre cidadãos, empresários e o Estado, em consonância com a finalidade última de articulação das várias frentes, de forma a harmonizá-las.

 

            Nesse sentido, ética, civilidade, cidadania e política são práticas que têm em comum os valores aceitos e aprovados pela coletividade, voltados a atender às necessidades de todas as ordens dentro de uma sociedade.  Não há oposição  nem contradição  entre elas.

 

            O que conflita e distancia ética de política é a prática. Não é comum as ações convergirem para  esse arranjo de forças. A desvirtuação dos valores levam ao desequilíbrio social, por predominar interesses que fogem à finalidade da política, gerando, assim, mais conflitos.

 

            Hoje, a política tende a duas vertentes em função da intervenção do Estado nas relações sociais, a que defende a intervenção mais forte do Estado, para evitar injustiças sociais e a que apoia a participação mínima do Estado, para que haja liberdade de iniciativa empreendedora.  Era preciso que houvesse uma conciliação dessas necessidades, apresentadas nessas duas tendências, no sentido de viabilizar a atuação do mercado sem que o cidadão e consumidor se torne hipossuficiente nessa relação.

 

            É preciso considerar que o cidadão é o agente construtor do processo cooperativo da formação da sociedade. Sua importância vai desde a escolha dos representantes pelo voto, e superveniente fiscalização e cobrança de suas ações, à sua efetiva contribuição para uma sociedade mais justa, através da prática da cidadania.

 

           


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